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ONDE ESTÁ O TEU IRMÃO ?

aO Papa Francisco que no princípio de dezembro propôs à Igreja o seu programa pastoral com a Exortação “A alegria do Evangelho”, vem no início deste novo ano 2014, no Dia Mundial da Paz, propor esta reflexão “Fraternidade, fundamento e caminho para a paz”, com estes temas: “Onde está o teu irmão?” (Gn 4,9) e “E vós sois todos irmãos” (Mt 23,8).

Este Papa é um permanente desafio ao espírito e à ação. Interpela e propõe. Desinstala-nos do nosso comodismo e indiferença. Perturba-nos e revoluciona. Ele mesmo diz que não podemos ficar tranquilos perante a ditadura da economia sem rosto e as profundas desigualdades e as multidões da fome. Diz-nos claramente que a primazia deve ser dada aos pobres e aos mais vulneráveis e que estes devem ser os primeiros destinatários da ação da Igreja e dos sistemas políticos e financeiros.

Ele recorda:

  • O grave aumento da pobreza relativa, isto é, de desigualdades entre pessoas e grupos que convivem numa região específica ou num determinado contexto histórico-cultural;
  • As sucessivas crises económicas devem levar a repensar adequadamente os modelos de desenvolvimento económico e a mudar os estilos de vida;
  • As graves crises financeiras e económicas dos nossos dias – que têm a sua origem no progressivo afastamento do homem de Deus e do próximo, com a ambição desmedida de bens materiais, por um lado, e o empobrecimento das relações interpessoais e comunitárias, por outro – impeliram muitas pessoas a buscar o bem-estar, a felicidade e a segurança no consumo e no lucro fora de toda a lógica duma economia saudável;
  • São necessárias políticas eficazes que promovam o princípio da fraternidade, garantindo às pessoas – iguais na sua dignidade e nos seus direitos fundamentais – acesso aos «capitais», aos serviços, aos recursos educativos, sanitários e tecnológicos, para que cada uma delas tenha oportunidade de exprimir e realizar o seu projeto de vida”.

1ª Conclusão: Repensar o modelo económico e mudar o estilo de vida.

Nesta mensagem o Papa aborda os grandes problemas da pobreza e da fome, mas também o subdesenvolvimento, conflitos bélicos, migrações, poluição, desigualdade, injustiças, crime organizado e fundamentalismos – que limitam os direitos fundamentais de grande parte da humanidade.

Pega na pergunta bíblica: “Onde está o teu irmão?!…” e a afirmação: “E vós sois todos irmãos”. A fraternidade aprende-se no seio familiar. A família é a fonte da fraternidade que aí se aprende. E no domingo da Sagrada Família ele insiste que se cultive a fraternidade usando o tripé da relação: Com licença, Obrigado, Desculpe. Diz o Papa: “Em muitas sociedades, sentimos uma profunda pobreza relacional, devido à carência de sólidas relações familiares e comunitárias; assistimos, preocupados, ao crescimento de diferentes tipos de carências, marginalização, solidão e de várias formas de dependência patológica. Uma tal pobreza só pode ser superada através da redescoberta e valorização de relações fraternas no seio das famílias e das comunidades”, bem como do “desapego vivido por quem escolhe estilos de vida sóbrios e essenciais, por quem, partilhando as suas riquezas, consegue assim experimentar a comunhão fraterna com os outros”. Porque uma causa importante da pobreza é a falta de fraternidade entre os homens.

solidariedade cristã pressupõe que o próximo seja amado não só como «um ser humano com os seus direitos e a sua igualdade fundamental em relação a todos os demais, mas [como] a imagem viva de Deus Pai, resgatada pelo sangue de Jesus Cristo e tornada objeto da ação permanente do Espírito Santo», como um irmão. É precisa uma conversão do coração que permita a cada um reconhecer no outro um irmão do qual cuidar e com o qual trabalhar para, juntos, construírem uma vida em plenitude para todos. Este é o espírito que anima muitas das iniciativas da sociedade civil, incluindo as organizações religiosas, a favor da paz”

2ª Conclusão: Redescobrir a fraternidade e o serviço que edificam a paz.

Há necessidade de que a fraternidade seja descoberta, amada, experimentada, anunciada e testemunhada; mas só o amor dado por Deus é que nos permite acolher e viver plenamente a fraternidade…Nós, cristãos, acreditamos que, na Igreja, somos membros uns dos outros e todos mutuamente necessários, porque a cada um de nós foi dada uma graça, segundo a medida do dom de Cristo, para utilidade comum (cf. Ef 4, 7.25; 1 Cor12, 7). O serviço é a alma da fraternidade que edifica a paz”. Nesta mensagem o Papa apela ao desarmamento nuclear e ao respeito pelos direitos humanos; lembra as vítimas do tráfico de pessoas e pede o fim da violência.

Pe. Batalha

  1. Regina Coeli Coutinho
    Janeiro 5, 2014 às 11:54

    Não é prezado,é meu irmão,Senhor!

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