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ADEUS! VOU PARTIR…

Estamos no Carnaval (Carne vale = adeus à carne)… Depois, adeus aos prazeres carnais, aos excessos… Despede-te disso!

Vem daí! Levanta-te e anda! Vem daí! Vamos partir como peregrinos e peregrinos abraâmicos. Abraão: “Sai da tua terra e vai para a terra que Eu te indicar!”. Deixa os prazeres carnais (egoísmo, individualismo, comodismo…). Vamos partir animados do espírito de Fé e confiança, procurando melhorar cada vez mais a relação com Aquele que nos chama. Levanta-te, saiamos daqui. “Por ti Eu, teu Deus, Me fiz teu filho; por Ti Eu, o Senhor, tomei a tua condição de servo; por ti Eu, que habito no mais alto dos Céus, desci à terra e fui sepultado debaixo da terra… Levanta-te, vamos daqui!” Ponhamos os pés ao caminho com um conselheiro e guia. Este é o Papa Bento XVI que nos diz para esta quaresma: «Prestemos atenção uns aos outros», para estimularmos o amor e as boas obras» (Heb10, 24), exortando-nos a ter confiança em Jesus Cristo como Sumo Sacerdote, que nos obteve o perdão e o acesso a Deus. Prestem atenção à realidade, ao «observar» as aves do céu, que não se preocupam com o alimento e todavia são objeto de solícita e cuidadosa Providência divina (cf. Lc 12, 24), e a «dar-se conta» da trave que têm na própria vista antes de reparar no argueiro que está na vista do irmão (cf. Lc 6, 41).

O Senhor chama cada um de nós a cuidar do outro. Também hoje Deus nos pede para sermos o «guarda» dos nossos irmãos (cf. Gn 4, 9), para estabelecermos relações caracterizadas por recíproca solicitude, pela atenção ao bem do outro e a todo o seu bem. O grande mandamento do amor ao próximo exige e incita a consciência a sentir-se responsável por quem, como eu, é criatura e filho de Deus: o facto de sermos irmãos em humanidade. Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão. A atenção ao outro inclui que se deseje, para ele ou para ela, o bem sob todos os seus aspetos: físico, moral e espiritual. O bem é aquilo que suscita, protege e promove a vida, a fraternidade e a comunhão. Assim a responsabilidade pelo próximo significa querer e favorecer o bem do outro, desejando que também ele se abra à lógica do bem; interessar-se pelo irmão quer dizer abrir os olhos às suas necessidades. Na parábola do bom Samaritano, o sacerdote e o levita, com indiferença, «passam ao largo» do homem assaltado e espancado pelos salteadores (cf. Lc 10, 30-32), e, na do rico avarento, um homem saciado de bens não se dá conta da condição do pobre Lázaro que morre de fome à sua porta (cf. Lc 16, 19). Em ambos os casos, deparamo-nos com o contrário de «prestar atenção», de olhar com amor e compaixão. O que é que impede este olhar feito de humanidade e de carinho pelo irmão? Com frequência, é a riqueza material e a saciedade, mas pode ser também o antepor a tudo os nossos interesses e preocupações próprias. Sempre devemos ser capazes de «ter misericórdia» por quem sofre; o nosso coração nunca deve estar tão absorvido pelas nossas coisas e problemas que fique surdo ao brado do pobre. O facto de «prestar atenção» ao irmão inclui, igualmente, a solicitude pelo seu bem espiritual.

E aqui desejo recordar um aspeto da vida cristã que me parece esquecido: a correção fraterna, tendo em vista a salvação eterna. Não devemos ficar calados diante do mal. Diz o apóstolo Paulo: «Se porventura um homem for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi essa pessoa com espírito de mansidão, e tu olha para ti próprio, não estejas também tu a ser tentado» (Gl 6, 1). Neste nosso mundo impregnado de individualismo, é necessário redescobrir a importância da correção fraterna, para caminharmos juntos para a santidade. . É que «sete vezes cai o justo» (Prov 24, 16) – diz a Escritura –, e todos nós somos frágeis e imperfeitos (cf. 1 Jo 1, 8). O apóstolo Paulo convida a procurar o que «leva à paz e à edificação mútua» (Rm 14, 19), favorecendo o «próximo no bem, em ordem à construção da comunidade» (Rm 15, 2).

P. Batalha

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  1. Helena Maria Vieira Cura
    Fevereiro 21, 2012 às 09:43

    obrigada pela reflexão, nesta preparação para a quaresma. Numa sociedade tão absorvente, o nosso individualismo e egoísmo crescem espontaneamente.Fazem parte de nós como se fossem parte integrante de uma conduta cristã. Hoje acordei,( do descanso da interrupção letiva) e senti necessidade do conforto divino. Ao procurar-vos vejo que afinal preciso de me confessar. Sim tenho pecados., Sou egoísta….Sim, sou tentada pelos prazeres da carne.
    Estou estupefata!
    obrigada por estas palavra de conversão.

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