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Archive for Fevereiro, 2012

SUBIR À CIDADE SANTA

Fevereiro 26, 2012 Deixe um comentário

Vou partir!…dizia-vos há dias.

Carregados com a crise económica, cultural e moral, partimos na passada quarta-feira, apresentando mãos fechadas sobre os nossos haveres, sempre prontas a destruir e a ferir, com sonhos e quimeras, na nossa vanglória e orgulho, na soberba do progresso e da ciência que não passam de cinza. Diante de Deus abrimos estas mãos para Ele, debaixo das cinzas que somos, fazer reacender o fogo do amor novo, brilhar a luz do perdão, enraizar ideais nobres e generosos e semear nestas cinzas a Esperança.

E, no fim, Jesus fez-nos um convite: Venham comigo ao deserto!

  • Olhai! Que vedes no deserto? Terra árida, seca, sem vida… gente tentada que está ressequida pela ganância, pelo euro-milhões, pelos divertimentos…gente seduzida pelo dinheiro, pelo poder e pela fama…gente que quer Deus ao seu serviço para seu prestígio. Chamo-vos ao deserto para que, sentindo como eu senti essas tentações, façais como Eu fiz: Escutai a Palavra de Deus...a vontade do Pai! Acolhei-A com alegria. E o que vos digo é isto: “Arrependei-vos e acreditai no Evangelho!”
  • Então, Senhor, neste caminho pelo deserto ajuda-nos a fazer uma seleção para deixarmos o que é inútil e nos sobrecarrega sem necessidade. Ajuda-nos a clarificar o nosso olhar, para ver para além das aparências. Ajuda-nos dia após dia a pôr em ordem o nosso coração; para mudarmos o estilo de vida, para nos purificarmos do homem envelhecido pelo pecado e nos revestirmos do homem novo. Ajuda-nos a aprender a viver da nova maneira do Evangelho que escolhemos. Guia-nos pelo teu Espírito, neste deserto, para Te vermos a Ti e aos outros irmãos e a mim mesmo de outra maneira.
  • Queremos atravessar este deserto nas nossas famílias, porque a família é o primeiro berço e a primeira escola onde Deus se manifesta, porque são dois que se unem no mesmo Espírito. Aqui se vive e aprende o amor fraterno, o sentido mais verdadeiro da solidariedade, da justiça, da honestidade, da rectidão, das virtudes sociais tão importantes para sermos cidadãos responsáveis. É também na família que acontece as divisões e discórdias, onde o amor arrefece, se contradiz e desmorona. Então é o deserto onde Deus quer estar com a Sua Palavra de Luz que ilumina e aquece, mas também purifica e renova. Assim o mundo torna-se mais belo e habitável para todos e melhora a vida em toda a sociedade. Pais e mães, jovens e crianças vamos todos peregrinos seguir o Caminho de Jesus que sobe a Jerusalém.
  • Este é o tempo favorável à mudança, em que queremos renovar a nossa aliança batismal.. É tempo de nos pormos de joelhos e confessar os nossos pecados, em que ajoelhados dizemos arrependidos: confesso a Deus e a vós irmãos que pequei por pensamentos e palavras, atos e omissões… É o tempo de renovar esse contrato de amor, esta Aliança entre mim e Deus. É um tempo de conversão que nos prepara para a Páscoa da feliz Ressurreição, para subir à Cidade Santa.

P. Batalha

PARTIU PARA O CÉU UM SANTO

Fevereiro 26, 2012 1 comentário

Quem é?

O Bispo D. Manuel Falcão que foi Bispo de Beja e antes foi Bispo Auxiliar de Lisboa, onde foi ordenado padre, mestre sobre a vida e Missão da Igreja Conciliar no Seminário e investigador da Sociologia Religiosa.

Foi testemunha do lema que escolheu para o seu episcopado “Omnes unânimes” = “Tende todos o mesmo pensar e os mesmos sentimentos, o amor de irmãos, a misericórdia e a humildade”(1Pe.3,8).

Como dele diz o atual Bispo, D. Vitalino: “Por trás da sua simplicidade e atitude silenciosa estava uma inteligência e sabedoria atenta aos seus semelhantes, sobretudo os mais pequenos, pobres e doentes, e um grande ardor apostólico”. Era um dos meus grandes e queridos amigos. Foi o meu padrinho de Missa Nova. Tinha uma grande admiração pelo meu já falecido irmão António pelo seu serviço à Igreja e pela sua militância cristã. D. Manuel, na Diocese de Beja, foi um grande Pastor. Lançou em Beja uma nova Evangelização do Alentejo com Missões Populares. Foi um grande e sábio escritor eclesiástico. Deixou uma “Enciclopédia Católica Popular”. Para mim é mais um Santo a interceder por nós. Aprecio-o muito.

MARCADOR PARA A 1.ª SEMANA DA QUARESMA

Fevereiro 25, 2012 Deixe um comentário

«O Senhor te abençoe e te guarde.»

Invocar a bênção de Deus sobre alguém é desejar-lhe todo o bem, aquele máximo de bem que só pode vir de Deus. Esta semana, deixa que a bênção do Senhor se derrame sobre ti e procura que a tua oração seja uma bênção para quantos se cruzam contigo.

Disposto a ser bênção de Deus para todos, começa a tua semana de oração.

Marcador da Palavra para a I Semana da Quaresma

Homilia no I Domingo da Quaresma B 2012

Fevereiro 25, 2012 Deixe um comentário

Antes de iniciar o Seu ministério público, o Senhor retirou-se para o silêncio do deserto e ali permaneceu algum tempo em jejum e oração. A sua atitude é um exemplo para nós que, na vida, também nos confrontamos com decisões difíceis. Se queremos estar preparados para vencer a luta que a vida nos impõe, precisamos de orar numa atitude de silêncio, como Jesus. É nesta disposição que pedimos ao Senhor que este tempo quaresmal nos proporcione uma caminhada através da escuta da Palavra de Deus e da oração, de forma a chegarmos preparados à celebração da Páscoa de Cristo.

Corpo a corpo, perante nós mesmos, caem as máscaras

Fevereiro 22, 2012 2 comentários

No primeiro Domingo do Tempo da Quaresma, a liturgia garante-nos que Deus está interessado em destruir o velho mundo do egoísmo e do pecado e em oferecer aos homens um mundo novo de vida plena e de felicidade sem fim.

A primeira leitura é um extrato da história do dilúvio. Diz-nos que Jahwéh, depois de eliminar o pecado que escraviza o homem e que corrompe o mundo, depõe o seu “arco de guerra”, vem ao encontro do homem, faz com ele uma Aliança incondicional de paz. A ação de Deus destina-se a fazer nascer uma nova humanidade, que percorra os caminhos do amor, da justiça, da vida verdadeira.

No Evangelho, Jesus mostra-nos como a renúncia a caminhos de egoísmo e de pecado e a aceitação dos projetos de Deus está na origem do nascimento desse mundo novo que Deus quer oferecer a todos os homens (o “Reino de Deus”). Aos seus discípulos Jesus pede – para que possam fazer parte da comunidade do “Reino” – a conversão e a adesão à Boa Nova que Ele próprio veio propor.

Na segunda leitura, o autor da primeira Carta de Pedro recorda que, pelo Batismo, os cristãos aderiram a Cristo e à salvação que Ele veio oferecer. Comprometeram-se, portanto, a seguir Jesus no caminho do amor, do serviço, do dom da vida; e, envolvidos nesse dinamismo de vida e de salvação que brota de Jesus, tornaram-se o princípio de uma nova humanidade.

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ADEUS! VOU PARTIR…

Fevereiro 18, 2012 1 comentário

Estamos no Carnaval (Carne vale = adeus à carne)… Depois, adeus aos prazeres carnais, aos excessos… Despede-te disso!

Vem daí! Levanta-te e anda! Vem daí! Vamos partir como peregrinos e peregrinos abraâmicos. Abraão: “Sai da tua terra e vai para a terra que Eu te indicar!”. Deixa os prazeres carnais (egoísmo, individualismo, comodismo…). Vamos partir animados do espírito de Fé e confiança, procurando melhorar cada vez mais a relação com Aquele que nos chama. Levanta-te, saiamos daqui. “Por ti Eu, teu Deus, Me fiz teu filho; por Ti Eu, o Senhor, tomei a tua condição de servo; por ti Eu, que habito no mais alto dos Céus, desci à terra e fui sepultado debaixo da terra… Levanta-te, vamos daqui!” Ponhamos os pés ao caminho com um conselheiro e guia. Este é o Papa Bento XVI que nos diz para esta quaresma: «Prestemos atenção uns aos outros», para estimularmos o amor e as boas obras» (Heb10, 24), exortando-nos a ter confiança em Jesus Cristo como Sumo Sacerdote, que nos obteve o perdão e o acesso a Deus. Prestem atenção à realidade, ao «observar» as aves do céu, que não se preocupam com o alimento e todavia são objeto de solícita e cuidadosa Providência divina (cf. Lc 12, 24), e a «dar-se conta» da trave que têm na própria vista antes de reparar no argueiro que está na vista do irmão (cf. Lc 6, 41).

O Senhor chama cada um de nós a cuidar do outro. Também hoje Deus nos pede para sermos o «guarda» dos nossos irmãos (cf. Gn 4, 9), para estabelecermos relações caracterizadas por recíproca solicitude, pela atenção ao bem do outro e a todo o seu bem. O grande mandamento do amor ao próximo exige e incita a consciência a sentir-se responsável por quem, como eu, é criatura e filho de Deus: o facto de sermos irmãos em humanidade. Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão. A atenção ao outro inclui que se deseje, para ele ou para ela, o bem sob todos os seus aspetos: físico, moral e espiritual. O bem é aquilo que suscita, protege e promove a vida, a fraternidade e a comunhão. Assim a responsabilidade pelo próximo significa querer e favorecer o bem do outro, desejando que também ele se abra à lógica do bem; interessar-se pelo irmão quer dizer abrir os olhos às suas necessidades. Na parábola do bom Samaritano, o sacerdote e o levita, com indiferença, «passam ao largo» do homem assaltado e espancado pelos salteadores (cf. Lc 10, 30-32), e, na do rico avarento, um homem saciado de bens não se dá conta da condição do pobre Lázaro que morre de fome à sua porta (cf. Lc 16, 19). Em ambos os casos, deparamo-nos com o contrário de «prestar atenção», de olhar com amor e compaixão. O que é que impede este olhar feito de humanidade e de carinho pelo irmão? Com frequência, é a riqueza material e a saciedade, mas pode ser também o antepor a tudo os nossos interesses e preocupações próprias. Sempre devemos ser capazes de «ter misericórdia» por quem sofre; o nosso coração nunca deve estar tão absorvido pelas nossas coisas e problemas que fique surdo ao brado do pobre. O facto de «prestar atenção» ao irmão inclui, igualmente, a solicitude pelo seu bem espiritual.

E aqui desejo recordar um aspeto da vida cristã que me parece esquecido: a correção fraterna, tendo em vista a salvação eterna. Não devemos ficar calados diante do mal. Diz o apóstolo Paulo: «Se porventura um homem for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi essa pessoa com espírito de mansidão, e tu olha para ti próprio, não estejas também tu a ser tentado» (Gl 6, 1). Neste nosso mundo impregnado de individualismo, é necessário redescobrir a importância da correção fraterna, para caminharmos juntos para a santidade. . É que «sete vezes cai o justo» (Prov 24, 16) – diz a Escritura –, e todos nós somos frágeis e imperfeitos (cf. 1 Jo 1, 8). O apóstolo Paulo convida a procurar o que «leva à paz e à edificação mútua» (Rm 14, 19), favorecendo o «próximo no bem, em ordem à construção da comunidade» (Rm 15, 2).

P. Batalha

MARCADOR PARA A 7.ª SEMANA DO TEMPO COMUM e INICIO DA QUARESMA

Fevereiro 17, 2012 1 comentário

Procura uma atitude de simplicidade que te ajude a ficares mais disponível para Deus.

Acolhe o exemplo das duas crianças que a Igreja em Portugal celebra nesta segunda-feira, dia 20.

Jacinta e Francisco não sabiam muito de coisa nenhuma: viviam a simplicidade do seu quotidiano e deixaram-se surpreender por Deus. E este encontro com Deus, através da mãe de Jesus, mudou radicalmente as suas vidas.

Deixa que a simplicidade seja a marca desta semana.

Marcador da Palavra para a VII Semana do Tempo Comum e inicio da Quaresma

Homilia no VII Domingo do Tempo Comum B – 2012

Fevereiro 17, 2012 Deixe um comentário

As leituras deste Domingo decorrem mais uma vez sob o signo da cura. Os milagres de Jesus, sinais da Sua bondade e do Seu poder, reflexos de um Deus que, como rezamos no Credo, é Pai e Todo-Poderoso, mostravam a todos aqueles que O rodeavam – e mostram-nos hoje a nós – que, com fé, o Homem é capaz de superar dificuldades e vencer resistências. Seremos nós capazes de pegar na nossa enxerga e ir para casa? Peçamos ao Senhor essa capacidade, para assim construirmos um mundo melhor, mais justo, com mais caridade.

PERDEMOS O NORTE, OU BUSCAMOS A JESUS COMO OS DE CAFARNAUM?

Fevereiro 16, 2012 Deixe um comentário

A liturgia do 7º Domingo do Tempo Comum convida-nos, uma vez mais, a tomar consciência de que Deus tem um projeto de salvação para os homens e para o mundo. Esse projecto (que em Jesus se torna vivo, palpável, realmente libertador) é um dom de Deus que o homem deve acolher com fé.

A primeira leitura fala-nos de um Deus que, em todos os momentos da história, está ao lado do seu Povo, a fim de o conduzir ao encontro da liberdade e da vida verdadeira. Sugere, no entanto, que o Povo necessita de percorrer um caminho de conversão e de renovação, antes de poder acolher a salvação/libertação que Deus tem para oferecer.

O Evangelho retoma a mesma temática. Diz que, através de Jesus, Deus derrama sobre a humanidade sofredora e prisioneira do pecado a sua bondade, a sua misericórdia, o seu amor. Ao homem resta acolher o dom de Deus, ir ao encontro de Jesus e aderir a essa proposta libertadora que Jesus veio apresentar.

A segunda leitura recomenda àqueles que aderiram à proposta de Jesus que vivam com coerência, com verdade, com sinceridade o seu compromisso, sem recurso a subterfúgios ou a lógicas de oportunidade.

FESTAS NA VIDA DO HOMEM

Fevereiro 12, 2012 Deixe um comentário

Vamos brincar ao Carnaval!…

O Carnaval é uma festa do povo. Podemos dizer que nela se junta gente de todas as categorias sociais. Todos se misturam nas ruas para a folia com comida, bebida, música e dança. A sua origem é nitidamente pagã, mas a Igreja sempre soube batizar tudo o que é humano.

Nos primeiros séculos, a Igreja Católica não tinha expressão dentro do mundo greco-romano. Somente no século IV, o imperador Constantino publica o Edito de Milão (313 d.C.), que torna o catolicismo a religião oficial do Império e proíbe a perseguição de cristãos. A partir do século IV, a Igreja cria a estrutura das festas litúrgicas – Natal, Quaresma e Páscoa – dentro do calendário Juliano. Como a Igreja se rege por padrões éticos e morais, não permitia festividades pagãs na Quaresma. Então, as pessoas passaram a aproveitar os últimos dias antes do início da Quaresma para se divertirem. O carnaval é realizado justamente neste período e remonta às características das festas pagãs. Assim estas festividades pagãs foram situadas antes do início desse período – a mesma data atual – e ganharam o nome de “carne vale”, que em latim significa “adeus à carne”, ou seja, uma despedida dos chamados prazeres carnais, dos tais excessos que caracterizavam as Saturnálias e eram, como ainda são, reprovadas pela Igreja.

As festas são indispensáveis ao homem, ao seu ser social. O homem é um ser festivo. Fazem-lhe falta para a própria sobrevivência da humanidade. Por isso, se diz que das três regras para se viver bem – 1ª, comer metade, 2ª, andar o dobro – que a 3ª é rir o triplo. A festa é necessária à saúde. Mais ainda neste nosso tempo, marcado pelo pessimismo, pela desorientação, pelo desespero e em tantos pelo suicídio. Esta sociedade que está a ficar triste procura a festa a todo o custo em convívios, em boates, discotecas…

Porém as festas não são só para brincar, para desanuviar ou para jogar, mas também para celebrar. Por isso os primeiros cristãos começaram por celebrar o Domingo, o Dia da Ressurreição e a Festa da Páscoa tornou-se o centro do Cristianismo que envolve todas as nossas festas e a vida cristã. O Domingo é o Dia do Senhor ressuscitado – “o Dia que o Senhor nos fez… Demos glória ao Senhor Ressuscitado!… Alegram-se os corações dos homens, filhos de Deus; e de novo os Anjos cantam: Glória no alto dos céus… Levai a grande festa ao mundo inteiro; Proclamai às nações a Boa Nova, em Cristo, Deus e Homem verdadeiro!”…(da Liturgia Pascal). O Domingo é, pois, o Dia do Senhor Ressuscitado, dia para Deus e para os homens, dia do descanso semanal, espaço de liberdade, dia da família e dia da solidariedade, dia da Palavra de Deus e dia da Oração (da Instrução Pastoral).

E nós somos herdeiros de um Povo das Festas. O Povo da Bíblia celebrava com especial intensidade as Festas da Páscoa, do Pentecostes e dos Tabernáculos; mas a sua vida social e religiosa estava estruturada a partir das Festas, nascidas do ritmo pastoril ou agrícola: a Festa das Tendas, a Festa das Colheitas…

Todas as festas e romarias acarretam consigo valores significativos fundamentais na vida humana: a festa junta, congrega as pessoas; é sempre fonte de alegria para quem a celebra; quebra a rotina, renova a vida das pessoas e grupos; aproxima as pessoas, pondo-as lado a lado, nivelando-as (por exemplo o Carnaval, os Santos populares,…). A festa também é fonte de liberdade e de libertação das pessoas. A festa promove a esperança. É por isso que a Festa é sempre saudável e necessária.