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Archive for Janeiro, 2012

REPENSAR A PASTORAL: DESAFIO e URGÊNCIA

Janeiro 29, 2012 1 comentário

O nosso Bispo promoveu as Jornadas de Formação Permanente do Clero com esta interpelação: “Sermos Igreja: que Igreja?”. Para o secundar trouxe dois Bispos a depor: um, o mais novo de todos os Bispos, D. António Couto, que toma posse da Diocese de Lamego, neste Domingo, e que falou da “Dimensão Bíblica da acção profética da Igreja”; trouxe um Bispo com 83 anos, D. Fernando Sebastián, espanhol, cheio de genica que nos falou energicamente da “Nova Evangelização” perante um mundo que não quer Deus para nada, exaltando uma liberdade absoluta, mas que entretanto está a sentir que precisa mesmo de Deus, para se não destruir e reerguer-se na sua dignidade. Por isso o mundo precisa de uma sacudidela, dum abanão… É o que está a acontecer com a crise. Esta crise é a oportunidade para a mudança, a conversão, mudando o estilo de vida que Jesus anunciou pela sua vida e pela sua profecia. Nisto insistiram os três oradores atrás referidos.

O nosso Bispo, D. José Policarpo, quer a Igreja Diocesana mais unida e mais empenhada, no testemunho de Cristo e no anúncio do Seu Evangelho. Motiva a Igreja Diocesana para uma nova evangelização. Apetece-me perguntar: quem de vós quer evangelizar ?  Porque o que eu verifico é que são mesmo poucos os que querem. A grande maioria de vós praticantes, o que quereis é ter a Missa e pronto! E pensais: eu tenho cá a minha vida e não tenho tempo para mais nada. Esta é exatamente a visão individualista da Fé cristã denunciada pelo nosso Bispo nesta sua comunicação.

Reparem no que temos feito pela evangelização:

* O Congresso Eucarístico que realizámos há 7 anos sobre “Eucaristia, fonte de vida para o mundo”, por uma cidadania Eucarística, porque se sentia necessária uma nova evangelização e a redescoberta da presença sacramental de Jesus Cristo na vida e na Eucaristia;

* a Visitação da Imagem Peregrina de Fátima, há 6 anos, em que Maria nos veio chamar à Fé para nos levar ao Seu Filho Jesus e Ele depois de nos instruir, dizendo-nos Faz-te ao largo! enviando-nos em missão a construir a civilização do amor, da justiça e da paz;

* a Visitação da Palavra Peregrina há 3 anos, em Dezembro de 2009, em que a “PALAVRA DE DEUS” percorrendo os caminhos das nossas terras, nos veio chamar ao conhecimento d’Aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida;

* a Escola Paroquial que desde há 5 anos nos vem instruindo na Palavra de Deus. Exemplifica o que o nosso Bispo diz: “A Igreja deve escutar continuamente a Palavra que anuncia e mostrar, pelo testemunho da santidade, que a Palavra, quando é escutada, transforma. O testemunho de uma vida transformada é essencial à evangelização”.

O Papa Bento XVI deu-nos três grandes Catequeses, em três encíclicas sobre a Fé, a Esperança e a Caridade. Chamam-se elas: Deus é Amor – Salvos na Esperança – Verdade na Caridade.

A Igreja em Portugal está “A repensar juntos a Pastoral”.

O mundo hoje é outro muito diferente daquele em que nós mais velhos nascemos. Por isso, a Igreja que somos, tem de encontrar renovadas formas de evangelizar. Não pode ser da mesma maneira. Temos de nos assumirmos como Igreja missionária e evangelizadora e não como uma Igreja instalada, conservadora e prestadora de serviços. Temos de tornar visível o testemunho cristão no mundo e não apenas dentro das paredes das igrejas.

Nós, cristãos, vivemos (todos) para evangelizar, cada um a seu modo, em comunhão eclesial. Cada um de nós deve sempre perguntar: o que fazia Jesus? Como ? Ele pede-nos conversão: “Convertei-vos e acreditai no Evangelho!”

É a família que prioritariamente, como Igreja Doméstica, que tem de ser o lugar privilegiado da evangelização. Temos de ver melhor como se preparar para o casamento, a educação de pais e filhos, de catequese familiar, etc…

Repensar a pastoral é um desafio e uma urgência.

P. Batalha

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AS CRISES E OS PROFETAS

Janeiro 29, 2012 1 comentário

A temática da 3ª sessão da Escola Paroquial foi sobre “As crises e os profetas”.

Profeta é um homem que olha o que Deus lhe mostra; vê em Deus todos os acontecimentos do dia, que interessam à sua vida e à daqueles que o rodeiam. Por isso, são os porta-vozes de Deus. Desempenham um papel importante nos momentos de crise. O Prof. Manuel Nunes destacou a figura do profeta Amos (do séc. VIII a.C.).

O profeta tem a missão de anunciar o plano, a vontade de Deus e de denunciar tudo aquilo que é contra o projeto de Deus: as injustiças, a opressão, a exploração, a dominação dos poderosos, a ambição dos ricos, as desigualdades sociais, a desunião dos pobres…

Anunciar o reino da justiça e da fraternidade e semear a esperança de que este reino se vai realizar, mesmo quando tudo parece perdido.

Levar o povo de Deus a tomar consciência da situação histórica e assumir a luta pela mudança das pessoas e da sociedade, de acordo com o projeto de Deus.

Por causa da mensagem que transmite, o profeta muitas vezes entra em conflito: Consigo mesmo – diante da situação de sofrimento, opressão, perseguição e angústia, o profeta maldiz a sua sorte (Jr 15,10); Com Deus – o profeta revolta-se porque Deus tarda em mandar a justiça e porque a sua mensagem é rejeitada (Jr 20,7-9): Com as autoridades religiosas – os profetas tiveram fortes brigas com os falsos profetas do seu tempo, porque eram infiéis a Deus e desviavam o povo para a idolatria. Esses falsos profetas e os sacerdotes facilitavam a dominação e a opressão dos poderosos sobre os pequenos (Ez.34,2-3; Amos 7,10-14); Com os poderosos – para os poderosos o profeta era uma pessoa que incomadava muito. A sua mensagem inquieta, questiona, exige a justiça e o direito. Por isso atrai a raiva dos poderoos, que perseguem, prendem e matam os profetas.(Jr 22,13-14; Mt 14,1-29)

Portanto os profetas denunciam o pecado e esforçam-se por despertar a consciência moral dos seus contemporâneos em tempo de crise.

Hoje, o movimento profético na Igreja e no mundo continua. A crítica de estruturas e de comportamentos antiquados que já não são expressão de nada está em marcha e foi encabeçado pelo próprio Concílio Vaticano II.

Na próxima semana vamos continuar com “Os profetas, voz da Esperança no Exílio”.

MARCADOR PARA A 4.ª SEMANA DO TEMPO COMUM

Diante do Senhor, sabendo que Ele te ama, pede-Lhe a graça de rezares com o coração, que as palavras sejam a chave para o teu interior, para essa profundidade tantas vezes ignorada, onde verdadeiramente és tu. É aí que pode dar frutos o teu encontro com Deus.

Diante do Senhor, no silêncio prolongado pelas palavras ou até pela música, bem recolhido no teu interior, começa a tua oração diária.

Marcador da Palavra para a 4.ª semana do Tempo Comum – ano B

Escola Paroquial de Ribamar e Santa Bárbara – 5.º ano

Iniciámos o 5.º ano da Escola Paroquial com 71 participantes.

O seu tema geral “A CRISE DESAFIA A ESPERANÇA”.

A escolha deste tema foi motivada pela realidade que se vive e de que tanto se fala. O pároco, P. Joaquim Batalha, na abertura do novo ano escolar, ao apresentar o tema, referiu-se à mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz ao dizer que esta crise é cultural e antropológica, atingindo o homem no seu ser. O homem anda muito confuso. Por isso esta sociedade secularizada desafia-nos para uma Nova Evangelização que implica cristãos apaixonados por Jesus Cristo que nos propõe uma conversão de vida, abraçando o estilo de vida de Jesus. Porque Ele é o Caminho e a Sua Igreja é o lugar da Coragem, da Alegria e da Esperança.

Então, o frei Rui Carlos, op, Dominicano, foi o primeiro mestre que iniciou os ensinamentos. Começou por definir a palavra ‘crise’: distinção e juízo, não é uma fatalidade, mas uma oportunidade, provoca alterações e mudanças. No caminho de Deus com os homens sempre houve crises. A crise na História da Salvação foi sempre caminho de encontro com Deus. Os profetas trouxeram profundidade em momentos de crise. Ele falou-nos de três momentos:

  1. Crise no contexto do Novo Testamento, citando Jo. 7, 24; 2 Tes 1, 5; Ap 16, 7; Jo 5, 22; Mt 23, 33; Lc 11, 42…;
  2. Crise no início da história do Povo de Israel (Pentateuco e Juízes), chegada a Canaã Jos 3, 10 com a conquista da terra Nu 24, 8…;
  3. Crise com a centralização do poder e realização do Povo de Israel, Sam 24…constituindo um Estado com um Rei à frente.

As respostas que se pedem a Deus são em cada momento diferentes. Pois a evolução histórica obriga a uma nova resposta aos desafios de Deus.

1.ª Sessão, em Ribamar – “A crise na História da Salvação“:

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2.ª Sessão, em S. Bárbara, com o frei Herculano Alves, ofm Capuchinho – “O ser humano é um ser em crise”:

Homilia no IV Domingo do Tempo Comum – ano B – 2012

Janeiro 28, 2012 2 comentários

O Evangelho de S. Marcos mostra-nos Jesus a pregar a Boa Nova e a curar, libertando algumas pessoas do mal. Todos aqueles que viam estas coisas ficavam admirados. Nós também ficamos contentes com os ensinamentos de Jesus e com a sua força salvadora que nos quer puxar sempre para cima. Nesta nossa caminhada nunca estamos sozinhos: temos a promessa cumprida do Espírito e os profetas que, em cada tempo, Deus suscita entre o seu povo para anunciar a salvação. Na segunda leitura, S. Paulo continua a exortar o cristão ao desprendimento.

DIANTE DA BONDADE O MAL PERDE FORÇA

A liturgia do 4º Domingo do Tempo Comum garante-nos que Deus não se conforma com os projectos de egoísmo e de morte que desfeiam o mundo e que escravizam os homens e afirma que Ele encontra formas de vir ao encontro dos seus filhos para lhes propor um projeto de liberdade e de vida plena.

A primeira leitura propõe-nos – a partir da figura de Moisés – uma reflexão sobre a experiência profética. O profeta é alguém que Deus escolhe, que Deus chama e que Deus envia para ser a sua “palavra” viva no meio dos homens. Através dos profetas, Deus vem ao encontro dos homens e apresenta-lhes, de forma bem perceptível, as suas propostas.
O Evangelho mostra como Jesus, o Filho de Deus, cumprindo o projeto libertador do Pai, pela sua Palavra e pela sua acção, renova e transforma em homens livres todos aqueles que vivem prisioneiros do egoísmo, do pecado e da morte.

A segunda leitura convida os crentes a repensarem as suas prioridades e a não deixarem que as realidades transitórias sejam impeditivas de um verdadeiro compromisso com o serviço de Deus e dos irmãos.

MARCADOR PARA A 3.ª SEMANA DO TEMPO COMUM

Durante a semana reserva uns minutos diários para estares com Deus. Por momentos faz silêncio no teu interior para poderes escutar Deus e partilhar com Ele os teus desejos mais profundos. Deixa que a Paz de Deus esteja contigo e, assim, pacificado, começa a tua oração diária.

Marcador da Palavra – 3.ª semana do tempo Comum, ano B

Solenidade de São Vicente, padroeiro principal do Patriarcado de Lisboa

Neste Domingo, dia 22 de Janeiro, na Diocese de Lisboa celebra-se a Solenidade de São Vicente, diácono e mártir, padroeiro principal da diocese.

Nota histórica:

Vicente, diácono da Igreja de Saragoça, morreu mártir em Valência (Espanha) durante a perseguição de Diocleciano, depois de sofrer cruéis tormentos. O seu culto logo se propagou por toda a Igreja.

Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo

(Sermão 276.1-2: PL 38, 1256) (Sec. V)

Vicente venceu onde o mundo foi vencido

A vós foi concedida a graça, não só de acreditardes em Cristo, mas também de sofrerdes por Ele.
Um e outro dom recebera o levita Vicente; recebera-os e guardara-os. Se os não tivesse recebido, como os guardaria? Tinha confiança na palavra, tinha coragem no sofrimento.
Ninguém se envaideça da sua força interior, quando fala; ninguém confie nas suas forças, quando sofre a tentação; porque, se falamos bem e com prudência, é d’Ele que vem a nossa sabedoria; e se suportamos os males com coragem, é d’Ele que vem a nossa força.
Recordai-vos de Cristo Senhor no Evangelho, exortando os seus; recordai-vos do Rei dos mártires, instruindo nas armas espirituais os seus exércitos, exortando-os para a guerra, fornecendo-lhes auxílio, prometendo a recompensa. Ele, que disse aos seus discípulos: Neste mundo haveis de sofrer, logo os consolou, ao vê-los assustados: Não temais; Eu venci o mundo.
Como nos admiraremos então, caríssimos, que Vicente tenha vencido n’Aquele que venceu o mundo? Neste mundo haveis de sofrer, diz o Senhor: o mundo persegue, mas não triunfa; ataca, mas não vence. O mundo conduz uma dupla batalha contra os soldados de Cristo: lisonjeia-os para os enganar, aterroriza-os para os quebrar. Não nos preocupe o nosso bem-estar, não nos assuste a crueldade alheia, e vencido está o mundo.
A ambas as brechas acorre Cristo, e o cristão não é vencido. Se neste martírio se considera a capacidade humana de o suportar, o facto torna-se incompreensível; mas se se reconhece o poder divino, nada tem de espantoso.
Era tanta a crueldade que afligia o corpo do mártir e tanta a tranquilidade que transparecia na sua voz, era tanta a dureza com que eram maltratados os seus membros e tão grande a segurança que ressoava nas suas palavras, que poderia parecer que, de algum modo maravilhoso, enquanto Vicente suportava o martírio, fosse torturada uma pessoa diferente da que falava.
E era realmente assim, irmãos, era mesmo assim: era outro que falava. Também isto o prometeu Cristo, no Evangelho, às suas testemunhas, quando as preparava para o combate. Na verdade, assim falou: Não vos preocupeis com o que haveis de dizer. Não sois vós que falais, mas o Espírito do vosso Pai que fala em vós.
Portanto, a carne era torturada e o Espírito falava: e enquanto o Espírito falava, não só era vencida a impiedade, mas também era confortada a fraqueza.

Homilia no III Domingo do Tempo Comum B

“O que tenho a dizer-vos é que o tempo é breve” (I Cor.7,29)!

Em pouco tempo, falemos do tempo, que nos parece sempre pouco, numa vida que é breve e fugaz, e que se anuncia, para já, com menos férias e feriados, sem pontes de descanso, para algumas pausas sonhadas! Tão breve é o tempo que nos foge, que de repente, nos acordamos com a pergunta: Qual é afinal o sentido que podemos dar aos nossos dias inquietos, de fadiga e de dor, em “tempos de crise”?

HOJE A BOA NOVA DEPENDE DE NÓS

A liturgia do 3.º Domingo do Tempo Comum propõe-nos a continuação da reflexão iniciada no passado domingo. Recorda, uma vez mais, que Deus ama cada homem e cada mulher e chama-o à vida plena e verdadeira. A resposta do homem ao chamamento de Deus passa por um caminho de conversão pessoal e de identificação com Jesus.

A primeira leitura diz-nos – através da história do envio do profeta Jonas a pregar a conversão aos habitantes de Nínive – que Deus ama todos os homens e a todos chama à salvação. A disponibilidade dos ninivitas em escutar os apelos de Deus e em percorrer um caminho imediato de conversão constitui um modelo de resposta adequada ao chamamento de Deus.

No Evangelho aparece o convite que Jesus faz a todos os homens para se tornarem seus discípulos e para integrarem a sua comunidade. Marcos avisa, contudo, que a entrada para a comunidade do Reino pressupõe um caminho de “conversão” e de adesão a Jesus e ao Evangelho.

A segunda leitura convida o cristão a ter consciência de que “o tempo é breve” – isto é, que as realidades e valores deste mundo são passageiros e não devem ser absolutizados. Deus convida cada cristão, em marcha pela história, a viver de olhos postos no mundo futuro – quer dizer, a dar prioridade aos valores eternos, a converter-se aos valores do “Reino”.