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CAMINHOS DA ESPERANÇA

Como se costuma dizer: venho prestar contas da minha participação no Encontro Nacional da Pastoral Social que foi promovido, em Fátima, pela Conferência Episcopal Portuguesa.

O lema que norteou as várias e diversas reflexões temáticas foi este: “Desenvolvimento local, caridade global”.

Subjacente a todas as intervenções estava a crise mundial nas suas diversas formas. Há fatores para os quais se deve abrir os olhos: a especulação financeira, o facilitismo da economia do país com subsídios e ajudas que levou à destruição da agricultura, das pescas e até de alguma indústria, o golpe do poder financeiro mundial, a má gestão dos dinheiros públicos, o peso do Estado na economia, a economia paralela, o fator trabalho é o que menos recebe quando se faz a distribuição, o desemprego que leva muitas famílias a situações dramáticas, a banca serve-se das empresas em vez de estar ao seu serviço, …

Foi neste contexto da crise que o Papa Bento XVI publicou a encíclica “Caridade na Verdade” e que motivou a temática do Encontro do ano passado, “Para um desenvolvimento solidário”. e também a deste ano, “Desenvolvimento local, caridade global”.

Neste sentido sublinho a intervenção do Cardeal Tettamanzi que veio de Milão/Itália para nos falar de que “Não há futuro sem solidariedade”. Os egoísmos é que nos perdem, mas é dando as mãos que nos salvamos. Foi a partir da sua experiência que ele nos disse: «diante desta enorme e penetrante crise, que posso eu fazer? E nós, como Igreja de Milão, que podemos fazer? Senti que era necessário ter um gesto de verdadeira solidariedade, de partilha efetiva que, partindo da ajuda concreta a alguns, pudesse tornar-se motivo de reflexão e de conversão para todos. Na homilia da Noite Santa de Natal propus a instituição do “Fundo Família Trabalho”, não só como gesto concreto de ajuda aos núcleos familiares em situação de necessidade pela crise, mas ainda mais como sinal, como impulso para compreender que, face a situações como estas, é preciso repensar radicalmente as próprias escolhas de vida. Procurei fazer perceber que não é possível, numa sociedade avançada como a nossa, não compreender o valor da colaboração, da escuta recíproca, da partilha; que ter uma casa e um trabalho digno não é um privilégio, mas um direito; que não é aceitável o enriquecimento desmedido de poucos, indiferentes à indigência de muitos!».

É preciso passar à ação. Por isso se falou das “Implicações do amor político” e também da “Responsabilidade política, participação e desenvolvimento”. Outro tema muito bem tratado, com muitos exemplos práticos foi “Desenvolvimento local, sustentabilidade e bem comum”. Em consequência disto foram abordados os temas: “O trabalho em rede e coesão social”; “Estilo de vida, ambiente e futuro”. O Presidente da Cáritas Nacional, em ordem a cumprir-se a orientação da “Instrução Pastoral sobre a ação social da Igreja” (da CEP, 1997) exortou a que todas as paróquias tenham um serviço social, minimamente estruturado, apresentando por escrito umas “Indicações Práticas”. A grave crise social que nos atinge constitui um forte apelo. A comunidade cristã, para ser fiel à sua identidade e missão, procurará viver e estruturar-se de forma a manter vivo o serviço da caridade, ao lado do anúncio do Evangelho e da Celebração Eucarística.

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