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UM PAÍS A MENDIGAR

Mendigar Painting by Angel Ortiz, in http://fineartamerica.com

Um dia destes acordei a sonhar: quando era criança, éramos todos pobres, mas havia ainda os mais pobres que passavam de casa em casa pedindo uma sopa ou esmola. Estendiam a mão e rezavam pelos falecidos da família. Veio-me esta imagem ao pensamento e acordei. Logo me ocorreu o que se passa no País. Todavia é diferente. É o nosso Governo de mão estendida a pedir que lhe comprem dívida pública. Triste figura andamos nós aí a fazer de mão estendida: à Venezuela, à China, ao Qatar, a este e àquele…a mendigar.

Como é que agravámos a crise ? Há muito que matámos o bom senso. Endeusámos o lucro ganancioso e deitámos fora os valores morais. Temos aí os efeitos com a crise.

O engodo do lucro financeiro fácil, mas virtual com os offshores. Ou seja: é a adoração do deus-mercado, a supremacia da mentalidade neoliberal, unida a uma globalização que marginaliza os pobres, tirando o máximo proveito das riquezas, escapando às obrigações estatais, aos encargos fiscais e às despesas de solidariedade.

A banca desregulou-se e desgovernou-se há um tempo ao permitir e incentivar  ao crédito do consumo. O que originou ? A que o cartão servisse para tudo e mais alguma coisa, mesmo quando não se tem dinheiro; é empréstimo sobre empréstimo, logo, endividamento sobre endividamento. Deseducou-se a população, não ensinando à lei e regra, tão básica como fundamental, da poupança, do crédito ao investimento.

A população foi também deseducada ao deixar os campos, os terrenos agrícolas. Assim deixa-se de produzir convenientemente, de gerar riqueza interna. Por isso, importamos mais de 60% da carne que consumimos

O Governo impôs medidas de austeridade, mas não olha si. Por exemplo, nós temos 13.740 organismos públicos, dos quais só 1.724 apresentam contas e apenas 418 são fiscalizados; portanto o Estado não conhece a sua real dimensão e, assim , não controla os dinheiros que gasta. E que vão para publicidade, viagens, concertos, flores, patrocínios a clubes de futebol, brindes e produtos promocionais, compras de tapetes de Arraiolos e de garrafas de uísque, etc, etc…

Esta crise sendo económico-financeira é também política, civilizacional, ambiental, moral e espiritual. E este Governo tem sérias responsabilidades, porque em vez de cuidar do desenvolvimento do País, deu primazia às questões fracturantes, como o divórcio avulso, aborto grátis e a pedido, o casamento entre os do mesmo sexo, a educação sexual que afinal se resume ao uso do preservativo e da pílula do dia seguinte, fecho de maternidades e escolas,.,levando-nos a todos para o abismo, pretendendo iludir-nos com o anúncio de obras faraónicas. Que ética ou moral é esta !? Facilitismos que dá na lei da selva em que nos encontramos. Eis aí o desemprego e a pobreza…assaltos e insegurança.

Sabemos que a crise está para demorar. Porém, não perdemos a Esperança e temos muitas provas disso: no voluntariado, na solidariedade, por exemplo do Banco Alimentar contra a fome, nas Dioceses com a criação dos Fundos sociais e incontáveis iniciativas de todo o género por toda a parte, como por exemplo: muitos desempregados que criaram empregos. Evidentemente que o desemprego e o trabalho precário que têm sido responsáveis pela fragilidade e pelo empobrecimento em que se encontram muitas famílias são um forte apelo à mudança de hábitos de consumo, à criação de novos estilos de vida, mais sóbrio e solidário.

P. Batalha

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