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DENÚNCIA E ALERTA DOS BISPOS PORTUGUESES

Marcador para a 33.ª Semana do Tempo Comum

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A Igreja tem o “dever de denunciar certas situações” em nome da “dignidade de cada pessoa”.

A Assembleia dos Bispos Portugueses, reunida em Fátima, pela voz do seu Presidente, D. Jorge Ortiga, manifestou a sua perplexidade pela “falta de verdade nos centros de decisão da gestão pública… A verdade é um imperativo colocado a todos, é um acto de honestidade, sobretudo ao nível dos centros de decisão dos diversos cargos políticos, económicos, sociais e culturais”.

Os actuais tempos de crise, sem dúvida, exigem “duras medidas de austeridade”, mas “apelamos às instâncias governativas para que as classes mais desfavorecidas sejam menos penalizadas e mais ajudadas”.

É hora para pôr cobro à atribuição de remunerações, pensões e recompensas exorbitantes, ao lado de pessoas a viver sem condições mínimas de dignidade”. “As medidas de austeridade, para merecerem acolhimento benévolo dos cidadãos, têm de ser acompanhadas de forte intervenção na correcção de desequilíbrios inaceitáveis e de provocantes atentados à justiça social”.

É hora para repensar as atitudes éticas e cívicas com lucidez vigorosa, com coragem para congregar as energias necessárias no esforço de reformas profundas no estilo de vida, e alicerçada com esperança no humanismo aberto à transcendência e para muitos alimentada no Pai comum que a todos irmana.

É hora também e urgente de procurar uma estratégia de desenvolvimento nacional, reestruturando o papel do Estado; definindo objectivos e metas de um desenvolvimento sustentável com planeamento, sem esquecer a agricultura e floresta; aperfeiçoando o sistema de saúde; corrigindo as grandes desigualdades quer a nível do território, quer a nível da apropriação da riqueza; sem esquecer uma questão pertinente que é a sustentabilidade do ambiente, e outras…

Cuidemos disto e não gastemos o tempo e as pessoas em palavreado inútil e lamentações. Os velhos do Restelo nunca fizeram nada a não ser carpir lamentos. Construamos o futuro.

Os Bispos propõem caminhos de conversão, dentro do autêntico espírito evangélico, como grande esperança para o futuro. Todos devem sentir-se responsáveis pelas causas motivadoras da actual situação, uma vez embarcados no consumismo do supérfluo e seduzidos pelos bens materiais como centro de uma vida feliz.

A Igreja “compromete-se a um trabalho de coordenação e articulação dos diversos organismos eclesiais, presentes em cada diocese”, para responder às situações dos mais desfavorecidos. “As organizações da Igreja ajudarão a complementar a resposta assistencial (alimentação, saúde, vestuário, habitação) com ofertas de promoção humana e de intervenção social”, assegura a nota final da Assembleia dos Bispos.

P. Batalha

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Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa – Comunicado Final


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