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VER COM O CORAÇÃO

É daqui de Fátima que vos dirijo a mensagem desta Semana. Neste dia 1 de Julho em que a vida começa a ser mais cara para os portugueses, ouvi o noticiário falar dos aumentos. É uma onda de alterações que nos torna cada vez mais pobres e que nos traz novos desafios e apelos. Por isso, já não vim pelas auto-estradas, mas sujeitei-me a levar mais tempo e ao ritmo dos camiões.

Escolhi vir passar estas férias a Fátima para descansar, rezar e reflectir o trabalho pastoral. Trouxe para ler o livro dos Discursos e Homilias do Papa Bento XVI em Portugal e também a recente Carta Pastoral dos Bispos de Portugal “Como Eu vos fiz, fazei vós também”, assim como o seu Comunicado «Repensar a pastoral da Igreja em Portugal – Interpelações sócio-culturais».

Perante este agravamento económico-social fui levado a ler o que o papa disse aqui, em Fátima, às organizações da Pastoral Social. Recomenda-nos o estilo do bom samaritano, apontando-nos a busca do bem comum, como caminho de construção da civilização do amor: «só com este amor de solidariedade e de partilha construiremos a civilização do amor e da paz».

Nós só venceremos esta crise se mudarmos de mentalidade e de estilos de vida. O Papa adverte-nos para a proposta de Jesus que é seguir o exemplo do bom samaritano: «Vai e faz o mesmo», aproximando-nos das situações carentes de ajuda fraterna. Diz-nos que o estilo é ver com o coração, onde há necessidade e actuar em consequência. Jesus dá o exemplo. Ele próprio se faz samaritano, próximo de todos os homens e «derrama sobre as suas feridas o óleo da consolação e o vinho da esperança» e os conduz à estalagem, que é a Igreja, onde os faz tratar, confiando-os aos seus ministros e pagando pessoalmente de antemão pela cura. «Vai e faz o mesmo»! O amor incondicionado de Jesus que nos curou há-de converter-se em amor entregue gratuita e generosamente, através da justiça e da caridade, para vivermos com um coração de bom samaritano.

E o Santo Padre saudou com apreço os representantes das instituições sociais, dizendo-lhes: «É com grande alegria que me encontro convosco neste lugar bendito que Deus escolheu para recordar à humanidade, através de Nossa Senhora, os seus desígnios de amor misericordioso. Saúdo as entidades a que pertencem, na diversidade de rostos unidos na reflexão das questões sociais e sobretudo na prática da compaixão, voltada para os pobres, os doentes, os presos, os sós e desamparados, as pessoas com deficiência, as crianças e os idosos, os migrantes, os desempregados e os sujeitos a carências que lhes perturbam a dignidade de pessoas livres».

Todos nós temos de seguir o ensinamento exemplar do Mestre, olhando uns para os outros com sentimentos de fraternidade e de solidariedade para melhor encararmos o futuro.

Vê com o coração de bom samaritano e faz o mesmo !

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