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PARTIU UM SANTO – P. BASTOS

O Padre Bastos era um homem de Deus para os homens. Pessoa afável, aberta, com um coração grande e disponível para o diálogo. Um grande Pastor. Chegou a sua hora de partir para o Pai. Cristo chorou pelo seu amigo Lázaro e eu também chorei, porque nos liga uma profunda amizade. Tinha por ele grande estima e admirava-o muito. Um homem extraordinário e um pastor incansável. Peniche despediu-se de seu “Pai”.

Considero uma providência ele ter partido no dia da Festa do Imaculado Coração de Maria e o seu funeral ser no dia de Santo António e ao Domingo, Dia do Senhor. Linda coincidência. Providência ! Recompensa ! Sinais de Deus. Deus é grande e faz maravilhas.

Quem foi este padre santo, para quem não sabe?: nasceu em Aveiro (1922), formou-se nos Seminários do Patriarcado de Lisboa, onde foi ordenado (1947) e logo enviado para Peniche, até agora. Desenvolveu um trabalho de desenvolvimento em prol de Peniche, “uma obra de apoio social à comunidade, consolidando um património que engloba três igrejas paroquiais, duas capelas, um santuário, um lar social, dois jardins de infância, duas creches, uma oficina de rendas artesanais, um clube recreativo e desportivo, um pavilhão polivalente, um espaço ocupacional e uma jornal quinzenal”. Mais, deixou muita gente formada, preparada para garantir a continuidade de tão grande obra missionária. Um grande evangelizador.

Foi capelão da cadeia do Forte de Peniche. Criou a capelania do Porto de Pescas, como “lugar de silêncio, de oração e de encontro com Deus, a fim de ir ao encontro das exigências da assistência religiosa de que têm necessidade os marítimos do comércio e da pesca, as suas famílias, o pessoal dos portos e todos os que empreendem uma viagem por mar”. Foi professor de Religião e Moral. Foi 62 anos Prior de Peniche e em diversas ocasiões foi pároco de Vau, Amoreira de Óbidos, Olho Marinho e Serra d’El Rei; Vigário da Vara de Peniche/Lourinhã; membro da Comissão Nacional Justiça e Paz; membro do Conselho Presbiteral. Foi grande impulsionador do Apostolado do Mar; para isso fundou o Clube “Stella Maris”, para desenvolver actividades recreativas e desportivas de ocupação da população de Peniche. A obra social que o P. Manuel Bastos legou a Peniche, na atenção aos mais desprotegidos, infelizes e idosos, começou pela “Sopa dos Pobres” (nas décadas de 40 e 50) e tem como maior expoente a obra do Lar de Santa Maria com tudo o que o envolve, bem como o desenvolvimento do desporto e da cultura.

Prestou sempre atenção aos que foram para fora da terra, os emigrantes e é um destes seus filhos, o P. Rui Pedro, que da emigração o saúda: “Homem do mar sempre fiel à classe trabalhadora e suas lutas, profeta invulgar de uma Igreja totalmente mergulhada na vida do povo, discípulo terno de um Deus que ama os pobres e, com eles, apressava a vinda do Reino, capelão de homens e mulheres honestos de todos os regimes políticos e partidos, militante que sonhava o desporto como escola de educação para valores e saúde, amigo fiel que a ninguém deixava sem postal de aniversário ou agradecimento, padrinho de afilhados sem eira nem beira e sem conta (entre os quais me incluo também eu !), educador criativo sobre a força da tradição para identidade de uma comunidade, apóstolo da reconciliação entre partes desavindas, cooperador universal com todas as pessoas, grupos e crenças que tivessem como prioridade a dignidade humana e a caridade na verdade, grande defensor da liberdade de ensino e dos direitos dos migrantes de todas as latitudes. Grande divulgador da vida e exemplo de outros penichenses ilustres e homens fiéis ao Evangelho, como o Servo de Deus, D. António Ferreira Viçoso, que desejava ver beatificado pela Igreja. Um sacerdote exemplar. Boa viagem, mestre de vida liberta, amigo dos emigrantes e meu mestre da arte sacerdotal! Ser padre requer arte, jeito e utopia. É esta herança que, ao findar o Ano sacerdotal, deixas aos cinco padres que silenciosamente geraste na Fé, fruto do teu sacerdócio missionário e feliz”.

Muito dele se pode bendizer. O Padre que marcou profundamente Peniche e a Diocese de Lisboa, nos últimos 60 anos.

P. Batalha

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