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A SABEDORIA DA CRUZ

Quem quiser ganhar a sua vida deve saber perdê-la. Quem se agarra à vida acaba por perdê-la. Quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim. – Disse Jesus.

A vida, a paixão e a morte de Jesus constituem um modelo de como devemos conduzir a vida e enfrentar as dificuldades inerentes a ela. É realmente espantoso o facto, de Deus, por Jesus, ter assumido a nossa vida mortal e fez-se Deus-connosco. “O Verbo divino fez-se Homem e habitou entre nós”.

Mais espantoso ainda é verificarmos que participou de todas as nossas mazelas: teve fome e sede, chorou de saudades pela morte do amigo, decepcionou-se com a dureza dos corações e com a pouca inteligência dos seus discípulos; mais ainda, angustiou-se diante da morte e entre “clamores e lágrimas dirigiu preces e súplicas” a Deus (Heb. 5,7) para ser libertado. Por causa da sua mensagem e das suas práticas novas que introduziu foi caluniado, perseguido e condenado à morte. Como é que Jesus enfrentou a ameaça de morte? Como é que interpretou a morte violenta, consequência da sua fidelidade a Deus e a sua proposta ? O Evangelho dá-nos uma resposta (Jo. 12,20-36). Ele ajuda-nos a entender a nossa própria vida, o nosso caminhar incontestável para a morte. Jesus não foi poupado ao sofrimento. Então, é pela cruz que se chega à luz. É morrendo que se vive para a Vida eterna.

Ao iniciarmos a Semana Santa meditemos na Paixão e morte em Jesus e em nós. A Paixão de Jesus é a maior e mais estupenda obra do Amor divino. É acontecimento salvífico de infinito valor, fonte inesgotável de todos os benefícios que Deus dispensa à humanidade.

Hoje, como noutros tempos, muitos cristãos pensam como Pedro na sua primeira reacção à notícia que Jesus lhes deu sobre a sua paixão e morte (Mt. 16, 21-23). Querem Cristo, sim, mas sem a cruz; querem um Cristo meigo, agradável, irradiando bondade e amor; não toleram vê-lo sofrer a agonia do Getsémani, não suportam vê-lo flagelado e coroado de espinhos, no pretório de Pilatos e, depois, crucificado e morto… e assim se recusam a segui-lo como deveriam, heroicamente, até à efusão do próprio sangue. Não sabem que a paixão de Cristo constitui a parte principal e culminante do “projecto de Deus” para a redenção do homem; ignoram que “a cruz está no centro do cristianismo”; que, sem ela, não pode haver salvação, a qual consiste na comunhão com o Pai; desconhecem que é pelos méritos da paixão e morte do Filho de Deus que nos são dispensadas as riquezas da divina misericórdia que nos abre as portas do Reino dos Céus. (cf. 2Cor. 1,3-7). Toda a nossa glória está na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Quando eu estiver à altura de compreender melhor o anúncio da paixão de Jesus, longe de me escandalizar, a minha alma inundar-se-á de alegria, de admiração e de gratidão. De alegria, porque o Filho de Deus, pelos méritos da Sua morte, me dará a Vida eterna; de admiração porque, olhando para o crucificado, serei levado a exclamar maravilhado: “Deus morre crucificado por meu amor”; e de gratidão porque, com o Seu Sangue, purifica a minha alma e me torna digno de contemplar a face de Deus. Contemplando Cristo crucificado, oiçamo-l’O dizer: Morri por ti, vem e segue-me !

P. Batalha

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