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ADEUS

O Carnaval é uma festa que, não sendo de origem cristã, está enquadrada no calendário festivo da Igreja.

As raízes do Carnaval são múltiplas: judaicas –  pagãs – cristãs. Todas acentuam o convívio humano em todos os lugares e em todos os tempos.

Por detrás desta festa divertida e mundana está aquela sabedoria do ritmo do tempo descrito na Bíblia: “Para tudo há um tempo e um tempo para cada coisa debaixo do céu: tempo para nascer e tempo para morrer, tempo para plantar e tempo para arrancar o plantio… tempo para chorar e tempo para rir, tempo para se lamentar e tempo para dançar” (Ecl  3, 1-4).

Não acontece tudo ao mesmo tempo; o homem precisa de um certo ritmo, primeiro através da criação e depois através da história que a fé representa ao longo do ano, através da cultura…; mas a alegria e o simbolismo sempre estiveram presentes. O Carnaval foi-se transformando em cada período histórico, com características cada vez mais diferentes. Perdeu um certo ritual de magia e de fantástico para se tornar em coisa nenhuma, a não ser muitas vezes um espectáculo de mau gosto – naturalmente expressão da sociedade do vazio em que vivemos. O comércio presta-lhe as honras com as máscaras e os mascarados. O Carnaval tornou-se uma “liturgia” da liberdade de expressão cultural, de crítica social, da libertinagem e da irresponsabilidade. 

Porém, com máscaras e mascarados, fazemos a vida quotidiana ao longo do ano. Por isso a Igreja, perante ritmos de vida tão descolorida, marca a diferença e propõe um tempo com atitudes diferentes e fazendo do Carnaval (traduzido do latim “carne vale”  = “adeus à carne”) um ‘Adeus” à carne, para uma abstinência, para uma moderação na comida e na bebida com o sentido da partilha e da solidariedade, da mudança de atitudes. Somos convidados à conversão, aprofundando o que é que se esconde por detrás dos nossos hábitos, das nossas boas maneiras, das nossas aparências, das nossas máscaras, verificando se vivemos segundo os critérios do Evangelho que nos valorizam e enriquecem.

Da dispersão em que andamos na engrenagem impiedosa das múltiplas ocupações, tão atarefados, somos convidados a fazer da Quaresma um tempo e um espaço de deserto, de silêncio, de paz, para que façamos esforço de interiorização, de reflexão pessoal e quanto possível na família. Aliás, é esta a proposta que nas reuniões de pais dos jovens que andam na catequese lhes apresentamos com a Caminhada Quaresmal para a Páscoa. É um tempo em que Cristo Jesus nos convida para uma vida nova. É tempo de nos voltarmos para Deus que nos ama, que nos salva por Seu Filho. A Família a Caminho da Vida.

Digamos adeus ao Carnaval e comecemos um tempo novo, para uma vida nova.

 

P. Batalha

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