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Archive for Julho, 2009

O PÃO DE CADA DIA

Julho 31, 2009 Deixe um comentário

vol_d_pedro_casaldaligaA terra é um pão imenso e nosso,

para a fome de todos.

Jesus é o Pão vivo.

O universo é a nossa mesa, irmãos.

As gentes têm fome,

e este Pão é a sua carne

destroçada na luta

vencedora na morte.

Somos família na fracção do pão.

Só ao partir o pão,

poderão reconhecer-nos.

Sejamos pão, irmãos.

Dá-nos, ó Pai, o pão de cada dia.

Dom Pedro Casaldáliga,

bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia

JESUS É O MEU ALIMENTO?

Julho 30, 2009 Deixe um comentário

aA liturgia do 18º Domingo do Tempo Comum repete, no essencial, a mensagem das leituras do passado domingo. Assegura-nos que Deus está empenhado em oferecer ao seu Povo o alimento que dá a vida eterna e definitiva.

A primeira leitura dá-nos conta da preocupação de Deus em oferecer ao seu Povo, com solicitude e amor, o alimento que dá vida. A acção de Deus não vai, apenas, no sentido de satisfazer a fome física do seu Povo; mas pretende também (e principalmente) ajudar o Povo a crescer, a amadurecer, a superar mentalidades
estreitas e egoístas, a sair do seu fechamento e a tomar consciência de outros valores.

No Evangelho, Jesus apresenta-Se como o “pão” da vida que desceu do céu para dar vida ao mundo. Aos que O seguem, Jesus pede que aceitem esse “pão” – isto é, que escutem as palavras que Ele diz, que as acolham no seu coração, que aceitem os seus valores, que adiram à sua proposta.

A segunda leitura diz-nos que a adesão a Jesus implica o deixar de ser homem velho e o passar a ser homem novo. Aquele que aceita Jesus como o “pão” que dá vida e adere a Ele, passa a ser uma outra pessoa. O encontro com Cristo deve significar, para qualquer homem, uma mudança radical, um jeito completamente diferente de se situar face a Deus, face aos irmãos, face a si próprio e face ao mundo.

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Com a PALAVRA consigo a VIDA:

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Português:

Español:

English:

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Nota: Informação recolhida em Evangelho Quotidiano, Dehonianos, Paulinas, Benedictines de Catalunya, h2onewspt, Living Space, Lugar Sagrado e Hermanoleón Clipart.

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UMA SÓ COISA É NECESSÁRIA

Julho 29, 2009 Deixe um comentário

VERMEER JOHANNES, Christ In The House Of Mary And Martha

VERMEER JOHANNES, Cristo em casa de Maria e de Marta

A LUZ APELA AO DIVINO

Quando se cantam as maravilhas de Deus, o coração estremece de gratidão. Uma vez que essas maravilhas são sempre a favor dos homens. E no caso da primeira leitura (refiro-me ao livro do Êxodo), Moisés e o povo fazem uma sinfonia: Moisés faz de solista, repetindo o que ouve do Senhor e transmitindo-o ao povo, com fidelidade e o povo, por sua vez, responde em coro, contagiando o próprio deserto de entusiasmo e confiança.

Na realidade, cantar não é apenas entoar uma melodia sabida; é vibrar de alegria e comoção, ao saborear o que se diz e ao sentir como os ouvintes se deixam contagiar. E as palmas finais, também fazem eco dessa alegria ambiental que se prolonga ritmadamente e põe em comunhão quem actua e participa.

Claro que Moisés não tinha partitura nem trazia do Egipto melodias ensaiadas. Mas a experiência de maravilhas, isso sim (e o Mar Vermelho era testemunha!). Além disso, o monte Sinai, no meio do deserto, tornou-se um lugar de diálogo e intimidade com Deus, e o povo ia adquirindo consciência da importância da ‘mediação’, através de Moisés e, mais tarde, dos profetas. Não há dúvida que um bom regente compromete e harmoniza todo o coro e empolga a assistência. Foi assim naquele tempo, e é hoje, quando pela fé nos sentimos igualmente profetas e pela convicção damos testemunho com a vida e fazemos comunhão. E tudo isto é missão e apelo à santidade.

Moisés, entretanto, cobria o rosto com um véu, como quando o regente (ou ‘maestro’) se retira do palco, para interiorizar o êxito obtido, à conta do coro todo. Simplesmente, Moisés sabia a quem atribuir a transparência do seu rosto, e queria que o povo desse graças a Deus e não desafinasse, à conta dos desalentos e da tentação dos ídolos, que o seduziam ainda. O coração de Moisés era inteiramente atraído por Deus; e ele, olhando para o mesmo Deus, queria que o povo se deixasse atrair também, até à ‘sinfonia’ dos Mandamentos acolhidos com entusiasmo e cantados com a vida. Só assim, a melodia seria perfeita e o povo sentir-se-ia ‘povo de Deus’.

Mas voltando a olhar para o cenário, assiste-se a um ritual de entradas e saídas ritmadas, que não fazendo parte da melodia, ajudam a concentrar as atenções e a apreciar os personagens. Ora, com a ‘Tenda da reunião’, acontecia algo de semelhante: o povo aguardava que Moisés se demorasse no interior da Tenda e na intimidade com Deus; e, depois de sair, escutava as palavras de Moisés, como se ouvisse a voz de Deus. Será assim a nossa vida contemplativa? E a nossa oração, feita a sós e em comunidade? O mundo é maior no nosso coração do que em toda a geografia do espaço: isto, quando Deus está presente e é o centro da nossa vida. Então, entremos na Tenda mais vezes e guardemos silêncio (sabendo, muito embora, que o mundo não entende este gesto e até o classifica como desperdício!).

RESSURREIÇÃO É VIDA

Entretanto, a sinfonia prossegue, agora, em Betânia, sendo mais bela ainda. Pois, a Tenda da reunião já não fica à beira do Sinai (nem sequer dos montes: Sião, Ebal ou Garizim), mas onde Deus é Emanuel, isto é, Deus-connosco. E a libertação da escravidão mais radical – que é a morte, é feita pela vida. Quer dizer: Jesus volta a página da partitura e manda sair Lázaro do túmulo. Não que esta seja a melodia mais perfeita; mas, para fazer entender a Marta, aos discípulos e aos curiosos do tempo, que Deus a vai compor doutro modo, e bem diferente da que se respirava na tradição judaica. Com efeito, esta acreditava que Deus devolveria a vida aos que tivessem cumprido a Lei, compensando-os de todos aqueles bens que não tinham podido usufruir nesta vida. E tal compensação era imaginada ao jeito duma vida corrigida, melhorada, e muito ao gosto dum conceito materialista.

Jesus, porém, assumindo a regência do coro, faz com que a ressurreição e a vida sejam termos afins e afinados; isto é: a ressurreição é vida e a vida é ressurreição. E, assim, esta melodia resulta harmoniosamente perfeita! Simplesmente, Marta e os demais (que somos nós, também), deviam prestar atenção às palavras de Jesus, pois aquilo que na tradição judaica (o julgamento e a vida) só haviam de ter lugar no fim dos tempos… com Jesus a reger, tornam-se realidades actuais. Ou seja, aquilo que Deus – autor da vida, realiza na hora da consumação (ou glorificação) de Jesus, também o comunica aos seus fiéis, desde que depositem fé naquele Seu ‘enviado’.

Deste modo, a narração de João, sobre a ressurreição de Lázaro, aparece corno uma representação plástica da afirmação feita por Jesus e a Seu respeito: ‘ressurreição e vida’. E o que quer isto dizer, afinal? Que Jesus, sendo Vida, também a comunica aos seus. Ou, doutro modo, ainda: quem acolhe a Sua palavra e acredita n’Aquele que O enviou, já passou da morte à vida. Por isso, o coro da fé que Jesus rege (pois, a Igreja é Ele e nós!), ecoa, simultaneameente, no tempo e na eternidade, E os outros coros que cantam as maravilhas de Deus, devem ter isto bem presente. Ou será que a Vida (com letra maiúscula) não merece ser cantada com vozes afinadas e vocalização bem treinada? Para isso, são necessários esforços como este, que tanto dignifica a Liturgia e vai dando brio e inspiração às Dioceses. E, ao mesmo tempo, desperta novos candidatos que apetecem a música sacra e enriquecem os coros das Igrejas.

Mas voltemos ao texto do Evangelho, para não comprometer o canto e a melodia. Já são três os participantes (Marta, Maria e Lázaro), além dos Doze que acompanham Jesus. Outros que chegam, trazem mais curiosidade do que vontade de entrar no coro. Pois, acham que ressuscitar um morto, pode angariar mais adeptos a favor do Nazareno. E, aqui, a desafinação é total, afirmando: precisamos de dar conta deles!… E isto deixa-nos a sensação da cultura da morte, de que o nosso tempo é fértil!

Jesus, porém, como garantia da vida, não nos dispensa, decerto, da morte natural; mas oferece muito mais do que Marta pedia. Pois, a morte do crente já não é a destruição e o fim, como se nela ficasse sepultado; é, antes, a superação da morte conseguida pela vida. isto, ao jeito dos contrastes musicais, entre o mais piano e mais forte, e que empolgam a assistência, ao longo dos concertos. E porquê, assim? Porque Deus, que é vida, não pode nem quer abandonar os seus, no momento derradeiro ou supremo. O que faz, é introduzi-los no Reino, onde já não há lugar a pranto nem a dor e, muito menos, a morte. Por isso, convém corrigir a liturgia funerária, comunicando mais esperança e menos lágrimas; posto que estas exprimam sentimentos que falam de amor e saudade.

Sobretudo, precisamos de olhar para o divino crucificado e sentir a vida que Ele inspira e a esperança que Ele oferece. Ou, se quisermos, ainda: ouvindo, de novo, as palavras ditas a Marta: “Quem acredita em Mim, embora venha a morrer, viverá; e todo aquele que acredita em Mim, nunca mais morrerá. Á creditas nisto”? “Eu acredito, Senhor”… respondeu Marta. Façamos também nós, este acto de fé. Rezado ou cantado? Com a vida, que engloba as duas coisas. Mas, sempre, no intuito de valorizar a Liturgia, cantando encantando. Pois, tudo isto deixa no coração um sabor a paz e enche a vontade de gratidão. E se o serviço de Marta a inquieta, e inquieta a Jesus por causa de Maria, tudo se harmoniza no compasso final, com que o Mestre (ou ‘maestro’) sabe encerrar o concerto, sublinhando o essencial: “unum est necessarium”!

Fátima, 29 de Julho de 2009 – ENCONTRO NACIONAL DE LITURGIA
Homilia de D. Augusto César, Bispo emérito de Portalegre – Castelo Branco

Marta, personagem bíblica do Novo Testamento, residia em Betânia (nas proximidades de Jerusalém) e era irmã de Maria e de Lázaro (Jo 11-12; Lc 10,38-42). Jesus era seu amigo e de seus irmãos e frequentava a sua casa (Jo 11,3; 12,3). Primogénita e dona de casa, Marta representa a vida activa, ao passo que a irmã Maria simboliza a contemplativa. Em várias lendas cristãs, Marta, juntamente com Maria e Lázaro, aparecem como missionários no sul da França.

CELEBRAÇÃO DO DIA DOS AVÓS EM FÁTIMA

Julho 28, 2009 Deixe um comentário

” Avós e netos devem cultivar juntos a esperança no futuro”

A PALAVRA E O PÃOgen20009

Será que a palavra antecede, habitualmente, a colheita?

Pelo menos, o lavrador que tem fé, não deixa de pedir ao Senhor, um tempo propício e uma seara abundante. E pensará no proveito pessoal ou também no dos outros? Aquele homem de Baal-Salisa foi levar as primícias ao profeta Eliseu, por reconhecer que ele era um homem de Deus. Isto é, um homem que pensava nos outros e intercedia por eles. E, assim, os dois juntaram os sentimentos do coração à Palavra de Deus e o milagre da fé aconteceu. Não fizeram negócio: se nos concederes isto e aquilo, nós repartimos! Antes, acreditaram e agiram em conformidade com a Palavra de Deus, que dizia: “hão-de comer e há -de sobejar”!

O egoísmo, ao contrário, desvia os olhos dos famintos, e guarda o que produz, para não sentir escassez. E, assim, fica sem saborear o valor da solidariedade, julgando que Deus é todo dele ou é apenas do seu tamanho. Razão tem o nosso povo para dizer: “é melhor dar que receber”!

E Nossa Senhora levou os Pastorinhos por este caminho, ensinando-lhes a repartir a merenda com as crianças mais pobres e a compadecer-se dos pecadores, até ao sacrifício e à reparação. E, nós, que viemos fazer a Fátima? Pedir e agradecer pessoalmente e pelos nossos, ou escutar a Palavra de Deus, de mãos dadas com todos os peregrinos que enchem o recinto e se deixam conduzir pela fé?

Decerto, Nossa Senhora também nos interroga: “Estais dispostos a fazer o que Deus vos pedir”? Por outras palavras: acreditamos que o mundo se muda menos com as armas e mais com o coração? Então, façamos como Eliseu; e acompanhemos os Pastorinhos no encanto da oração e na prática da mensagem do cé.

O AMOR E A UNIDADEpao

Agora, oiçamos o Apóstolo Paulo, escrevendo aos cristãos de Éfeso, a partir da prisão de Roma. Sabe que vai a caminho do martírio.., mas, nele mesmo, pouco pensa; mostra-se, antes, solícito pela unidade da Igreja e recomenda a todos, que se empenhem generosamente e sem egoísmo. Com efeito, o Império é ciumento dos ídolos pagãos e, a coberto deles, defende os caprichos da moda. Se fosse hoje, valia-se dos meios de comunicação social para criar mentalidade e colocava o interesse e a ambição acima do bem comum, mesmo com risco de divisão e de mediocridade.

A unidade da Igreja é resultado da colaboração de todos. E não se trata duma opção facultativa; mas dum empenhamento real, que mereceu do Senhor a seguinte garantia: ‘para que todos acreditem”! Portanto, viver em união, tem sabor a ‘sacramento’; pois, o amor fraterno deposita a sua fé e a sua esperança no amor de Deus, tornado visível em Jesus Cristo. Então, nem os sacerdotes, nem os consagrados, nem os cristãos leigos em geral, hão-de sacrificar por nada a ‘unidade’. Pois, se o preço do amor é a cruz, o fruto mais saboroso é a comunhão dos santos, vista à luz da Ressurreição.

Simplesmente, hoje, há quem fomente a crítica e não tolere as contrariedades. Como se o caminho da felicidade, fosse feito de facilidade.., e a doença, o envelhecimento e a morte estivessem fora da vida. Daí, discursos inflamados à conta de nada, alianças quebradas, desistências gratuitas… e muito sofrimento sem resposta, por conta dum capricho sem sentido. Se Jesus tivesse vivido e ensinado assim, ainda hoje estávamos à espera da Redenção. Mas ele disse, em jeito de testamento: “como Eu fiz, fazei vós também”! E tornando a Cruz, tornou-se cireneu de todos os homens, para que nem os idosos, nem os doentes, nem as crianças fossem tidos a mais na sociedade ou indesejados no seio da família.

Ora, hoje, é dia de S. Joaquim e Santa Ana, avós do Menino Jesus. E a Igreja olha com afecto e gratidão, para eles e para todos os avós, mercê da missão que desempenham no seio da família e da sociedade. Assim, quando olhamos para as rugas dos mais idosos ou para os seus cabelos brancos, reconhecemo-los portadores duma vida de trabalho e dedicação, mais ou menos longa e frutuosa. E o progresso que agora é nosso, não foi construído por nós. Por isso, diante de todos eles, sentimo-nos devedores. E não fazemos nada de mais, se lhes dermos o lugar no autocarro ou lhes estendermos a mão, com um sorriso carinhoso.

Todavia, as ideologias do nosso tempo rejeitam atitudes gratuitas; e, em vez delas, sugerem ou impõem um sistema de ‘justiça’ que tudo pretende resolver com dinheiro. Daí, que muitos avós ou idosos se vejam privados da ternura dos netos e muitos netos sintam a falta do carinho dos avós. Quando, uns e outros, com idades diferentes e distantes, podem e devem cultivar juntos a esperança do futuro. Isto, porque todos foram (fomos) criados para a felicidade.., e a eternidade é isso mesmo, como garantia de fé.

PÃO E SACRAMENTOcorpus08

Digo como ‘garantia de fé’, e de ‘pão’ também; pois, a Eucaristia sugerida pela multiplicação dos pães, garante-nos o ‘alimento dos últimos tempos’. E dá pena ver, algumas vezes, urna preparação mal cuidada, diante dum milagre tão abundante e cheio de transcendência!

Jesus, na realidade, revela um conhecimento sobre-humano e apresenta-se diante dos discípulos como ‘Senhor’. Pois, quando pergunta a Filipe: “onde havemos de comprar pão para eles comerem”, sabe muito bem o que fazer e a confiança que deposita na resposta do Pai. Assim, depois de dar graças (elevando os olhos ao céu), reparte-o por todos. E dos cinco pães de cevada (para cinco mil homens, mais as mulheres e as crianças), sobraram doze cestos!

Este relato de João é uma espécie de parábola em acção, que destaca, sobretudo, a finalidade com que Jesus veio ao mundo: para ser alimento e comunicar vida!

De facto, no Evangelho segundo S. João, Jesus preocupa-se com o homem todo e com as suas necessidades mais profundas. E a multidão deixava-se atrair por Ele, em vista dos sinais e da cura dos doentes. Toda esta cena, entretanto, evoca a figura de Moisés que deu de comer ao povo, em pleno deserto. E a multidão concluiu que se tratava dum profeta semelhante e, por isso, pretende fazê-lo rei. Mas o ‘reino’ de Jesus é outro, – como dirá mais tarde a Pilatos.

Neste Evangelho, o papel dos discípulos aparece reduzido ao acomodar a gente e ao recolher das sobras. Enquanto nos outros, são eles que distribuem o pão e os peixes. Em todo o caso, Jesus aproveita a sua colaboração e a nossa, para repartir a caridade e socorrer quem precisa. E isto é função de toda a Igreja… mesmo quando a sociedade, orientada pelos governantes, pretenda chamar a si toda a responsabilidade. Pois, além dos impostos que são de todos, a acção caritativa da Igreja humaniza e ensina a saborear o ‘gratuito’, aprendido ao colo da mãe.

Para além destes reparos, o número de cinco mil, indica o universalismo na pessoa de Jesus. Com efeito, na Bíblia, os números são simbólicos; e quando falam, por exemplo, de cinco pães e dois peixes (igual a sete), manifestam em Jesus, a plenitude da graça de Deus. Igualmente, os doze cestos sobrantes, correspondem às doze tribos de Israel e aos doze Apóstolos, e hão-de chegar para todo o povo. E não acontecerá assim com a Eucaristia, repartida pela Igreja, através do mundo inteiro?

Em resumo: o evangelista pretende que os leitores vejam neste relato o sinal da salvação oferecido por Jesus aos homens. O que equivale à realização das promessas do passado, associadas ao mistério Pascal: libertação de todas as escravidões, incluindo a morte; e superação de tudo o que parece impossível aos olhos dos homens (hoje, facilmente fixados no dinheiro, no consumo e no prazer). Simplesmente, Jesus olha para outros valores: a fidelidade ao Pai e ao Seu projecto; o ajustamento ao caminho do Servo de Yavé; e o serviço gratuito ao homem, sem acepção de pessoas. Além disso, como enviado do Pai, não tinha pretensões políticas. Por isso, convivia com as autoridades de cariz religioso ou militar, reconhecendo as suas competências. Mesmo assim, não se livrou de ser acusado e condenado por ambas. E as primeiras comunidades cristãs foram igualmente acusadas a Roma, como pertencendo a um movimento político-revolucionário, que ameaçava o Império.

Não admira, pois, que a Europa de hoje, faça por esquecer as suas raízes cristãs; e que alguns dos nossos políticos pautem os critérios de governação, por maneiras de agir indiferentes à maioria cristã. Já assim foi noutras épocas e mormente na implantação da República. Mas, se agirem por convicção, não deixam de interpelar a nossa fé e de pôr à prova o nosso testemunho, que há-de ser dado com convicção e em respeito humano. Convém recordar, entretanto, o que acima ficou dito por S. Paulo: sempre na unidade e de mãos dadas na caridade. Ora, os Pastorinhos de Fátima, apesar de crianças, captaram bem esta mensagem.

Peçamos a Nossa Senhora que nos abençoe! E tendo presente a santidade e a missão de S. Joaquim e Santa Ana, que abençoe carinhosamente todos os ‘avós’.

Fátima 26 de Julho de 2009 – EUCARISTIA INTERNACIONAL (11:00)
Homilia de D. Augusto César, Bispo emérito de Portalegre – Castelo Branco

Domingo comum XVII

A palavra e o pão

Será que a palavra antecede, habitualmente, a colheita? Pelo menos, o lavrador que tem fé, não deixa de pedir ao Senhor, um tempo propicio e uma seara abundante. E pensará no proveito pessoal ou também no dos outros?
Aquele homem de Baal-Salisa foi levar as primícias ao profeta Eliseu, por reconhecer que ele era um homem de Deus. Isto é, um homem que pensava nos outros e intercedia por eles. E, assim, os dois juntaram os sentimentos do coração à Palavra de Deus e o milagre da fé aconteceu. Não fizeram negócio: se nos concederes isto e aqui/o, nós repartimos! Antes, acreditaram e agiram em conformidade com a Palavra de Deus, que dizia: “hão-de comer e há -de sobejar”!
O egoísmo, ao contrário, desvia os olhos dos famintos, e guarda o que produz, para não sentir escassez. E, assim, fica sem saborear o valor da solidariedade, julgando que Deus é todo dele ou é apenas do seu tamanho. Razão tem o nosso povo para dizer:
“é melhor dar que receber”! E Nossa Senhora levou os Pastorinhos por este caminho, ensinando-lhes a repartir a merenda com as crianças mais pobres e a compadecer-se dos pecadores, até ao sacrifício e à reparação. E, nós, que viemos fazer a Fátima? Pedir e agradecer pessoalmente e pelos nossos, ou escutar a Palavra de Deus, de mãos dadas com todos os peregrinos que enchem o recinto e se deixam conduzir pela fé? Decerto, Nossa Senhora também nos interroga: “Estais dispostos afazer o que Deus vos pedir”? Por outras palavras: acreditamos que o mundo se muda menos com as armas e mais com o coração? Então, façamos como Eliseu; e acompanhemos os Pastorinhos no encanto da oração e na prática da mensagem do céu.

O amor e a unidade

Agora, oiçamos o Apóstolo Paulo, escrevendo aos cristãos de Éfeso, a partir da prisão de Roma. Sabe que vai a caminho do martírio.., mas, nele mesmo, pouco pensa; mostra-se, antes, solícito pela unidade da Igreja e recomenda a todos, que se empenhem generosamente e sem egoísmo. Com efeito, o Império é ciumento dos ídolos pagãos e, a coberto deles, defende os caprichos da moda. Se fosse hoje, valia-se dos meios de comunicação social para criar mentalidade, e colocava o interesse e a ambição acima do bem comum, mesmo com risco de divisão e de mediocridade.
A unidade da Igreja é resultado da colaboração de todos. E não se trata duma opção facultativa; mas dum empenhamento real, que mereceu do Senhor a seguinte garantia: ‘para que todos acreditem”! Portanto, viver em união, tem sabor a ‘sacramento’; pois, o amor fraterno deposita a sua fé e a sua esperança no amor de Deus, tomado visível em Jesus Cristo. Então, nem os sacerdotes nem os consagrados nem os cristãos leigos em geral, hão-de sacrificar por nada a ‘unidade’. Pois, se o preço do amor é a cruz, o fruto mais saboroso é a comunhão dos santos, vista à luz da ressurreição. Simplesmente, hoje, há quem fomente a crítica e não tolere as contrariedades. Como se o caminho da felicidade, fosse feito de facilidade.., e a doença, o envelhecimento e a morte estivessem fora da vida. Daí, discursos inflamados à conta de nada, alianças quebradas, desistências gratuitas… e muito sofrimento sem resposta, por conta dum capricho sem sentido. Se Jesus tivesse vivido e ensinado assim, ainda hoje estávamos à espera da Redenção. Mas ele disse, em jeito de testamento: “como Eu fiz, fazei vós também”! E tornando a Cruz, tornou-se cireneu de todos os homens, para que nem os idosos, nem os doentes, nem as crianças fossem tidos a mais na sociedade

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ou indesejados no seio da família. Ora, hoje, é dia de S. Joaquim e Santa Ana, avós do Menino Jesus. E a Igreja olha com afecto e gratidão, para eles e para todos os avós, mercê da missão que desempenham no seio da família e da sociedade. Assim, quando olhamos para as rugas dos mais idosos ou para os seus cabelos brancos, reconhecemo-los portadores duma vida de trabalho e dedicação, mais ou menos longa e frutuosa. E o progresso que agora é nosso, não foi construído por nós. Por isso, diante de todos eles, sentimo-nos devedores. E não fazemos nada de mais, se lhes dermos o lugar no autocarro ou lhes estendermos a mão, com um sorriso carinhoso. Todavia, as ideologias do nosso tempo rejeitam atitudes gratuitas; e, em vez delas, sugerem ou impõem um sistema de ‘justiça’ que tudo pretende resolver com dinheiro. Daí, que muitos avós ou idosos se vejam privados da ternura dos netos e muitos netos sintam a falta do carinho dos avós. Quando, uns e outros, com idades diferentes e distantes, podem e devem cultivar juntos a esperança do futuro. Isto, porque todos foram (fomos) criados para a felicidade.., e a eternidade é isso mesmo, como garantia de fé.

Pão e Sacramento

Digo como ‘garantia de fé’, e de ‘pão’ também; pois, a Eucaristia sugerida pela multiplicação dos pães, garante-nos o ‘alimento dos últimos tempos’. E dá pena ver, algumas vezes, urna preparação mal cuidada, diante dum milagre tão abundante e cheio de transcendência!
Jesus, na realidade, revela um conhecimento sobre-humano e apresenta-se diante dos discípulos como ‘Senhor’. Pois, quando pergunta a Filipe: “onde havemos de comprar pão para eles comerem”(?), sabe muito bem o que fazer e a confiança que deposita na resposta do Pai. Assim, depois de dar graças (elevando os olhos ao céu), reparte-o por todos. E dos cinco pães de cevada (para cinco mil homens, mais as mulheres e as crianças), sobraram doze cestos!
Este relato de João é uma espécie de parábola em acção, que destaca, sobretudo, a finalidade com que Jesus veio ao mundo: para ser alimento e comunicar vida!
De facto, no Evangelho segundo S. João, Jesus preocupa-se com o homem todo e com as suas necessidades mais profundas. E a multidão deixava-se atrair por Ele, em vista dos sinais e da cura dos doentes. Toda esta cena, entretanto, evoca a figura de Moisés que deu de comer ao povo, em pleno deserto. E a multidão concluiu que se tratava dum profeta semelhante e, por isso, pretende fazê-lo rei. Mas o ‘reino’ de Jesus é outro, – como dirá mais tarde a Pilatos.
Neste Evangelho, o papel dos discípulos aparece reduzido ao acomodar a gente e ao recolher das sobras. Enquanto nos outros, são eles que distribuem o pão e os peixes. Em todo o caso, Jesus aproveita a sua colaboração e a nossa, para repartir a caridade e socorrer quem precisa. E isto é função de toda a Igreja… mesmo quando a sociedade, orientada pelos governantes, pretenda chamar a si toda a responsabilidade. Pois, além dos impostos que são de todos, a acção caritativa da Igreja humaniza e ensina a saborear o ‘gratuito’, aprendido ao colo da mãe.
Para além destes reparos, o número de cinco mil, indica o universalismo na pessoa de Jesus. Com efeito, na Bíblia, os números são simbólicos; e quando falam, por exemplo, de cinco pães e dois peixes (igual a sete), manifestam em Jesus, a plenitude da graça de Deus. Igualmente, os doze cestos sobrantes, correspondem às doze tribos de Israel e aos doze Apóstolos, e hão-de chegar para todo o povo. E não acontecerá assim com a Eucaristia, repartida pela Igreja, através do mundo inteiro?

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Em resumo: o evangelista pretende que os leitores vejam neste relato o sinal da salvação oferecido por Jesus aos homens. O que equivale à realização das promessas do passado, associadas ao mistério Pascal: libertação de todas as escravidões, incluindo a morte; e superação de tudo o que parece impossível aos olhos dos homens (hoje, facilmente fixados no dinheiro, no consumo e no prazer). Simplesmente, Jesus olha para outros valores: a fidelidade ao Pai e ao Seu projecto; o ajustamento ao caminho do Servo de Yavé; e o serviço gratuito ao homem, sem acepção de pessoas. Além disso, como enviado do Pai, não tinha pretensões políticas. Por isso, convivia com as autoridades de cariz religioso ou militar, reconhecendo as suas competências. Mesmo assim, não se livrou de ser acusado e condenado por ambas. E as primeiras comunidades cristãs foram igualmente acusadas a Roma, corno pertencendo a um movimento político-revolucionário, que ameaçava o Império.
Não admira, pois, que a Europa de hoje, faça por esquecer as suas raízes cristãs; e que alguns dos nossos políticos pautem os critérios de governação, por maneiras de agir indiferentes à maioria cristã. Já assim foi noutras épocas e mormente na implantação da República. Mas, se agirem por convicção, não deixam de interpelar a nossa fé e de pôr à prova o nosso testemunho, que há-de ser dado com convicção e sem respeito humano. Convém recordar, entretanto, o que acima ficou dito por 5. Paulo:
sempre na unidade e de mãos dadas na caridade. Ora, os Pastorinhos de Fátima, apesar de crianças, captaram bem esta mensagem.
Peçamos a Nossa Senhora que nos abençoe! E tendo presente a santidade e a missão de S. Joaquim e Santa Ana, que abençoe carinhosamente todos os ‘avós’.

Fátima 26 de Julho de 2009

+ Augusto César

VINDE DESCANSAR UM POUCO!

Julho 25, 2009 Deixe um comentário

familia_feriasQuem trabalha precisa de descansar.

Por isso, férias sempre houve, embora antes não tivessem o formalismo que agora têm. Eram diferentes. A sua raiz é de origem bíblica.

No princípio era o sábado. Lede a Bíblia no seu primeiro livro, Génesis 2, 2.

É o descanso que corresponde à procura de uma outra dimensão da vida, a ausência da rotina, a distância do quotidiano, a respiração do transcendente, a preparação do eterno.

No Evangelho do domingo passado, Jesus convida os seus discípulos, que acabavam de regressar do trabalho da missão, a descansar: “Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco”.

O descanso é importante para o equilíbrio físico, emocional e espiritual, psicossomático, do corpo e da alma.

Devemos interrogar-nos sobre a maneira como fazemos férias. Serão elas realmente conforto para o corpo e para o espírito? Não estarão elas viciadas pelo frenesim do trabalho?

Se não considerássemos o trabalho tão “maldito”, talvez as férias pudessem revestir-se de uma feição diferente. Vive-se tantas vezes carregados de ansiedade que as tornamos indispensáveis e inadiáveis, cansando-nos com o aproximar do tempo.

Raramente o que se descansa em férias compensa o que se trabalha para as pagar. É porque as fazemos muito comerciais.

Por isso, voltemos a perguntar-nos: Será que regressamos ao nosso trabalho com mais ânimo e vigor ? Então porquê ? Que faço das minhas férias ?

As férias devem ser uma oportunidade para descansar, para estar mais tempo com a família, convivendo mais uns com os outros, visitando outros, na paz e na alegria que refrescam os corações. e as relações festivas.

Devem ser tempo para a cultura, ora lendo um livro, ora vendo um filme, ora visitando um museu ou outra coisa que nos alargue os horizontes e os nossos critérios…

É tempo para participar em semanas organizadas para descanso e formação, em campos de férias, em acampamentos, em retiros espirituais, em semanas bíblicas ou litúrgicas, em tempos para escutar melhor a nossa consciência, para analisar a fundo a vida, para contemplar a natureza e as suas maravilhas, enfim…para dinamizar a espiritualidade e potenciar o compromisso familiar, laboral e social.

Sejam verdadeiramente um tempo de descanso que nos enriqueça e reconforte.

P. Batalha

ONDE HÁ AMOR E PARTILHA DEUS ESTÁ PRESENTE

Julho 24, 2009 Deixe um comentário

panes_y_peces_5A liturgia do 17º domingo Comum dá-nos conta da preocupação de Deus em saciar a “fome” de vida dos homens. De forma especial, as leituras deste domingo dizem-nos que Deus conta connosco para repartir o seu “pão” com todos aqueles que têm “fome” de amor, de liberdade, de justiça, de paz, de esperança.

Na primeira leitura, o profeta Eliseu, ao partilhar o pão que lhe foi oferecido com as pessoas que o rodeiam, testemunha a vontade de Deus em saciar a “fome” do mundo; e sugere que Deus vem ao encontro dos necessitados através dos gestos de partilha e de generosidade para com os irmãos que os “profetas” são convidados a realizar.

O Evangelho repete o mesmo tema. Jesus, o Deus que veio ao encontro dos homens, dá conta da “fome” da multidão que O segue e propõe-Se libertá-la da sua situação de miséria e necessidade. Aos discípulos (aqueles que vão continuar até ao fim dos tempos a mesma missão que o Pai lhe confiou), Jesus convida a despirem a lógica do egoísmo e a assumirem uma lógica de partilha, concretizada no serviço simples e humilde em benefício dos irmãos. É esta lógica que permite passar da escravidão à liberdade; é esta lógica que fará nascer um mundo novo.

Na segunda leitura, Paulo lembra aos crentes algumas exigências da vida cristã. Recomenda-lhes, especialmente, a humildade, a mansidão e a paciência: são atitudes que não se coadunam com esquemas de egoísmo, de orgulho, de auto-suficiência, de preconceito em relação aos irmãos.

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Nota: Informação recolhida em Evangelho Quotidiano, Dehonianos, Paulinas, Benedictines de Catalunya, h2onewspt, Living Space, Lugar Sagrado e Hermanoleón Clipart.

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O PADRE ALEXANDRE SIOPA FOI PARA A CASA DO PAI

Julho 22, 2009 Deixe um comentário

imageNo final do dia de ontem, 21 de Julho, com 86 anos de idade, faleceu o Padre Alexandre Siopa, membro do Presbitério do Patriarcado de Lisboa.

Nascido a 9 de Setembro de 1922 no Vimeiro (Alcobaça), fez os seus estudos teológicos nos seminários do Patriarcado.

Foi ordenado presbítero no dia 21 de Dezembro de 1946 e exerceu funções pastorais, sucessivamente, nas paróquias de Peniche, Alcobertas, Cadaval, Lamas, Pêro Moniz, Vermelha, Peral, Alcobaça, Vimeiro, Bárrio e Vestiaria. Foi ainda membro da Comissão de Assistência do Cadaval, professor de Religião e Moral na zona do Oeste, Vigário da vara de Alcobaça e capelão do Lar Residencial de Alcobaça. Desde 15 de Agosto de 1999 era pároco emérito de Alcobaça.

Os restos mortais do Pe. Alexandre Siopa estão em câmara ardente na igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Alcobaça. Serão celebradas exéquias, esta Quarta-feira, dia 22, pelas 17h00, no Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, seguindo os restos mortais para o cemitério do Vimeiro (Alcobaça).

Preside à cerimónia o D. Joaquim Mendes, bispo auxiliar do Patriarcado de Lisboa.

[Fonte: Agência Ecclesia]

DESAFIOS À ACÇÃO

Julho 18, 2009 Deixe um comentário

maosPerante desigualdades e injustiças sociais gritantes, a pobreza e opressão que hoje se vive na sociedad, recebemos do Papa uma carta encíclica “Caridade na verdade” com orientações que são desafios à acção.

Não podemos ficar de braços cruzados. Neste sentido é um apelo ao desenvolvimento humano, libertando-nos do nosso individualismo em busca do bem comum. É preciso valorizar as pessoas na família, no trabalho e na corresponsabilidade comunitária. É preciso dar prioridade ao trabalho e às pessoas na sua dignidade.

É que a nível mundial a riqueza cresceu e as tecnologias aproximaram povos e culturas, mas as desigualdades agravaram-se; estando mais próximos não nos reconhecemos mais irmãos.

Os novos problemas sociais merecem particular atenção do Papa nesta encíclica. A questão social está centrada no homem, no sentido de que ela implica a própria maneira não só de conceber, mas também de manipular a vida, cada vez mais colocada pelas biotecnologias nas mãos do homem. São sublinhados o significado da cultura das populações e das nações, o papel do estado na época da globalização, da educação, do fenómeno das migrações, do trabalho e do desemprego. Uma das ideias que mais põe em evidência é a necessidade de pensar o sistema financeiro de maneira real e não de maneira “virtual”, de forma a que contribua para criar trabalho e riqueza. É lembrado que é preciso pensar o ganho a longo prazo, de colocar noutros termos as relações entre o capital, a empresa e o trabalho. Hoje, tem de se pensar o desenvolvimento também com os olhos na sustentabilidade, pois urge uma gestão dos recursos naturais. Tem de se pensar na educação dos consumidores, para que possam defender-se a si mesmos da sedução generalizada em que se tornou a cultura consumista. Por conseguinte tem de se renovar o sindicalismo, porque este está vendido ao capital.

Na nossa Diocese, perante a crise e a crescente onda de pobreza, ouvindo a voz do Mestre: “Dai-lhes vós de comer!”, começou a ser lançado o Projecto “Igreja Solidária”.

Urge abrir os olhos para as situações, escutar o grito dos pobres. Urge abrir o coração, as mãos e pôr a inteligência à “procura do desenvolvimento integral da pessoa, descobrindo soluções audazes novas, formas novas de agir na realidade que nos envolve, que não é abstracta, porque é a pessoa que se encontra em dificuldades para encontrar soluções, para desenvolver e manter a sua dignidade, sustentar a família…sentir-se autónoma do seu destino… Urge organizar as nossas ajudas”. Para se promover uma maior harmonia social e ambiental exige-se o envolvimento de todos nós, das organizações e do Estado.

Foi neste sentido que se criaram, nas nossas duas Paróquias, dois Grupos Paroquiais de Acção Social, com o objectivo de actuar nas situações de carência e nas diferentes estruturas, fazer revisão de vida, analisando os problemas e promovendo o diálogo, mas também motivar as comunidades paroquiais para a responsabilidade social. É preciso ter em conta o que Jesus nos ensinou: olhar para os outros, sentindo que todo o homem é meu irmão. “Amai-vos uns aos outros” – ama cada pessoa como um irmão, mesmo que seja teu inimigo: “Nisto reconhecerão que sois meus discípulos”.

P. Batalha

DEIXA JESUS ENSINAR-TE

Julho 17, 2009 1 comentário

ovejas_sin_pastor03A liturgia do 16º Domingo do Tempo Comum dá-nos conta do amor e da solicitude de Deus pelas “ovelhas sem pastor”. Esse amor e essa solicitude traduzem-se, naturalmente, na oferta de vida nova e plena que Deus faz a todos os homens.

Na primeira leitura, pela voz do profeta Jeremias, Jahwéh condena os pastores indignos que usam o “rebanho” para satisfazer os seus próprios projectos pessoais; e, paralelamente, Deus anuncia que vai, Ele próprio, tomar conta do seu “rebanho”, assegurando-lhe a fecundidade e a vida em abundância, a paz, a tranquilidade e a salvação.

O Evangelho recorda-nos que a proposta salvadora e libertadora de Deus para os homens, apresentada em Jesus, é agora continuada pelos discípulos. Os discípulos de Jesus são – como Jesus o foi – as testemunhas do amor, da bondade e da solicitude de Deus por esses homens e mulheres que caminham pelo mundo perdidos e sem rumo, “como ovelhas sem pastor”. A missão dos discípulos tem, no entanto, de ter sempre Jesus como referência… Com frequência, os discípulos enviados ao mundo em missão devem vir ao encontro de Jesus, dialogar com Ele, escutar as suas propostas, elaborar com Ele os projectos de missão, confrontar o anúncio que apresentam com a Palavra de Jesus.

Na segunda leitura, Paulo fala aos cristãos da cidade de Éfeso da solicitude de Deus pelo seu Povo. Essa solicitude manifestou-se na entrega de Cristo, que deu a todos os homens, sem excepção, a possibilidade de integrarem a família de Deus. Reunidos na família de Deus, os discípulos de Jesus são agora irmãos, unidos pelo amor. Tudo o que é barreira, divisão, inimizade, ficou definitivamente superado.

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Nota: Informação recolhida em Evangelho Quotidiano, Dehonianos, Paulinas, Benedictines de Catalunya, h2onewspt, Living Space, Lugar Sagrado e Hermanoleón Clipart.

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ESCUTEIROS – 14º ANIVERSÁRIO

Julho 11, 2009 Deixe um comentário

Com a PALAVRA consigo a VIDA:

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194_imgOs Escuteiros de Ribamar (Agrupamento 1066 do CNE) estão a celebrar o seu 14º Aniversário. O Ano Escutista que está a terminar ficou bem marcado por dois dos seus Patronos: Paulo de Tarso e D. Nuno Álvares Pereira. Os Santos patronos são exemplos muito estimulantes para os escuteiros. As suas vidas devem ser conhecidas e imitadas.

Como fazer com que os nossos Escuteiros adiram aos modelos que lhes propomos? Como demonstrar a uma geração de jovens mergulhada em apelos materiais e instantâneos que há modelos, alguns de há séculos, mas cada vez mais actuais, que vale a pena descobrir e seguir, imitando o seu modo de vida, vivendo os seus valores ?

S. Paulo foi a figura do ano, com a celebração Jubilar dos seus 2 mil anos  Que homem é este que, no meio de tantas tribulações, percorreu terras e mares para anunciar Jesus Cristo ? Saulo, nascido em Tarso, foi para Jerusalém ainda muito jovem para aprender a doutrina das leis e das tradições do Judaísmo. Tornou-se um dos maiores defensores da Sagrada Escritura. Com esta postura, foi um dos que perseguiram mais ferozmente a Igreja. Um dia, a caminho de Damasco, já perto da cidade, viu descer sobre ele uma luz e escutou uma voz que dizia: “Saulo, Saulo porque me persegues?” Comoveu-se e perguntou: “Quem sois Vós, Senhor?” Resposta: “Eu sou Jesus a quem tu persegues!” Ao ouvir estas palavras, exclamou: Senhor que queres que eu faça?Jesus disse-lhe para entrar na cidade e que lá lhe diriam que fazer. Mas neste encontro, ele ficou cego e esteve três dias sem ver, sem comer e sem beber (vd. Act.9, 3-9). Deus enviou-lhe um discípulo, de nome Ananias. Este impôs-lhe as mãos e, pelo poder de Cristo, restituiu-lhe a vista, baptizou-o e instituiu-o apóstolo, isto é, enviado, mensageiro, evangelizador. Assim se converteu Saulo – que começa a apresentar-se como Paulo – passando de maior perseguidor de Jesus a seu apóstolo mais fervoroso, pregando e demonstrando a divindade de Jesus, seja aos judeus, seja aos estrangeiros que não conheciam as Escrituras. Começam então as suas viagens missionárias. Tal como ele, também nós precisamos de um encontro com Cristo, uma luz que ilumine as nossas vidas, para que as nossas palavras e gestos sejam cada vez mais, palavras e gestos de Cristo em nós. Um 2º aspecto é a importância da comunidade dos discípulos de Jesus para S. Paulo. Após ser baptizado por Ananias, Paulo passa a conceber a sua missão como um edificar contínuo da Igreja, comunidade que Jesus Cristo deseja e ama. Paulo vai sempre acompanhado. E, se uns anunciam o Evangelho, outros baptizam, celebram a Eucaristia, fortalecem a comunidade. Assim a Igreja identifica-se com Cristo, é o Corpo de Cristo, com muitos membros e cada um com a sua função. Na caminhada da vida cristã, ninguém vai sozinho; cada um é um membro activo da comunidade que é a Igreja viva. A 3ª marca de S. Paulo é que tudo o que acontece na sua vida só é possível por Jesus Cristo, porque ele sabe em Quem pôs a sua confiança. Daí ele estar sempre disposto a viver pessoalmente a sua fidelidade a Cristo, em todas as situações. Deixemos também nós que Jesus invada o nosso coração, para que possamos dizer como S. Paulo: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim”.

Outra figura do ano foi o Patrono do CNE, São Nuno Álvares Pereira. Foi com estas palavras que, no dia 26 de Abril, o Papa Bento XVI falou na Praça de S. Pedro: “Sinto-me feliz por apontar à Igreja inteira esta figura exemplar, nomeadamente por uma presença de uma vida de Fé e Oração em contextos aparentemente pouco favoráveis à mesma, sendo a prova de que em qualquer situação, mesmo de carácter militar e bélica, é possível actuar e realizar os valores e princípios de vida cristã…considerai o êxito da sua carreira e imitai a sua Fé…”. Nascido em Cernache do Bonjardim, em 1360, , Nuno Alvares Pereira tornou-se pajem, aos 13 anos, de Leonor Teles. Destacando-se logo no ataque dos castelhanos a Lisboa, foi armado cavaleiro. Em 1385, foi nomeado Condestável, detendo Castela na Batalha de Aljubarrota, a 14 de Agosto de 1385. Segura a paz, Nuno dedicou-se a outras obras. Em 1422, distribuiu os títulos e as propriedades pelos netos. Estando viúvo, em 1423 entrou na Ordem Carmelita, vindo a morrer em 1431. Uma nota característica nele foi a “Fortaleza”. A fortaleza que lhe deu fama de santidade, ainda em vida, foi a que lhe veio de uma vida espiritual intensa, plenamente aberta à vontade de Deus e à acção do Seu Espírito. Nuno Álvares é considerado “cavaleiro invencível na guerra” e “cristão exemplar  no cumprimento das virtudes”.

O porquê da escolha de Nuno de Santa Maria para Patrono do CNE percebe-se pela sua biografia: em toda a sua vida, Nuno encarnou o espírito e os valores que o CNE propõe aos seus elementos – sejam eles Lobitos, Exploradores, Pioneiros, Caminheiros ou Dirigentes. Encontramos nos Princípios do Escutismo, tal como formulados pelo CNE, os eixos estruturantes do Homem – Cidadão e Cristão – que o CNE, contribuindo para a formação integral das crianças e jovens, procura promover, eixos estruturantes de um Escuteiro autêntico e completo. Recordemo-los: 1. O Escuta orgulha-se da sua Fé e por ela orienta a sua vida; 2. O Escuta é filho de Portugal e bom cidadão; 3. O dever do Escuta começa em casa. Vemos que tudo isto tem a ver com Nuno Álvares Pereira, São Nuno de Santa Maria. Parabéns Escuteiros de Ribamar. SEMPRE ALERTA PARA SERVIR por muitos anos !

P. Batalha