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A IRMÃ DOENÇA

Hoje, dia de S. Francisco que tratava todas as criaturas por Irmãs deu o motivo para o tema deste Farol.

A Irmã doença trouxe-me até ao hospital de Torres Vedras.

A Irmã doença trouxe-me as dores e as limitações, sobretudo a perturbação da mente.

Inicialmente, roubou-me a capacidade de pensar, mas fiz-me amigo da dor que logo me fez um apelo à fé e à Sabedoria da Cruz, levando-me a tratá-la como Irmã.

Aceitar serenamente as deficiências corporais; não ter vergonha da situação e dependência, mas aceitar como se está, sem irritação, torna-me amigo, feliz e agradecido, porque poderia estar pior.

Dou graças a Deus pela sabedoria que Ele me dá em transformar a doença numa irmã e amiga, porque Deus providenciará.

Cultivar a paciência e a persistência, das quais sinto bons frutos na dieta que me foi recomendada por ocasião da operação às carótidas, quando tive o AVC, porque, sem dúvida, tudo isso ajuda a recuperar a unidade interior, a sensação de bem-estar e de poder sobre mim mesmo.

Já comecei a aprender nas minhas doenças que, como S. Paulo, “sofro na minha própria carne o que falta aos sofrimentos de Cristo através do seu Corpo que é a Igreja”… “Todo o homem participa na redenção. Cada um é chamado a participar no sofrimento mediante o qual se levou a cabo a Redenção do Homem. É chamado a participar nesse sofrimento por meio do qual todo o sofrimento humano também foi redimido.

Levando a cabo a Redenção, mediante o sofrimento, Cristo elevou, ao mesmo tempo, o sofrimento humano ao nível da redenção. E é por isso que todo o homem pode, no seu sofrimento, tornar-se participante do sofrimento, tornar-se participante do sofrimento redentor de Cristo”.

Cristo fez-se solidário e abriu-nos um sentido novo para a dor humana.

Seguindo as pegadas do Mestre, as feridas tornam-se nossas amigas, abraçamo-las e inserimo-las num movimento solidário universal das chagas dolorosas da humanidade.

Para além do sofrimento humano está o “plano de Deus” (Is 53, 10) que “prospera” mediante o sofrimento do Servo, que Ele vence com mansidão e paz.

Por isso, com Cristo Jesus vive-se o sofrimento com alegria. Esta alegria não quer dizer que seja riso explosivo, mas um estado interior cheio de “gozo” e de liberdade.

Eis porque onde está Jesus não é possível a tristeza. O cristão que sofre na fé, sofre com Cristo e como Cristo e, mais ainda, participa da dor e da morte de Cristo Jesus; melhor, é o próprio Jesus irmanado e feito um só com os feridos pela dor.

Deus vos dê a Sua Bênção e a Sua Paz.

P. Batalha

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  1. Outubro 4, 2008 às 20:15

    « Dou graças a Deus pela sabedoria que Ele me dá em transformar a doença numa irmã e amiga, porque Deus providenciará »

    Quisera Deus que eu tivesse igual sabedoria. É que, embora em tempos fosse bastante paciente, hoje já não sou tanto, por isso tenho muito a aprender com o exemplo e atitude do P. Batalha.
    Em termos humanos desejo-lhe as melhoras.

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