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O FALAR E O FAZER

Há uma expressão popular: “Façam o que eu digo, não façam o que eu faço” que é bem a manifestação da  hipocrisia.

De facto hoje, as palavras vão-se esvaziando de significado. Nas relações sociais vão tendo maior peso as cortesias verbais , promessas destituídas de empenho.. A humanidade perde-se muitas vezes em veleidades. Fazem-se planos sem intenção de cumprir. Muitos se comprazem em projectos megalómanos …Promessas, muitas promessas. Pouca acção. Muitos noivos, no casamento, junto ao altar, prometem viver o amor. Depois?… Pais e mães prometem prestar mais atenção, conviver mais com os filhos.

Também há filhos que fazem muitas promessas. Palavras, só palavras e nada mais. O nosso mundo está cheio de promessas vazias.

Na parábola dos dois irmãos temos um “não” que se transforma em “sim” e um “sim”que se torna num “não”. São os que “dizem” e os que “fazem”.Não é fácil a gente praticar o que diz, manter a palavra dada.

A parábola é a resposta à eterna pergunta: Quem é amigo de Jesus? Aliás Ele dá a resposta: “Nem todo aquele que me diz Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 7, 21).

Pode existir entre nós uma hipocrisia não consciente. Consiste em não nos interrogarmos a fim de saber se algo precisa de ser mudado.

Muitos contentam-se em viver alguns pontos dos Ensinamentos cristãos, sobretudo os que dão mais nas vistas, descurando outros, considerando-os como algo de somenos importância. Andam por perto de Cristo, por isso não sentem necessidade de se aproximar mais, para uma identificação de vida. Andam pelos arredores. Escutam de longe a sua voz.

A nossa vida não é inteiramente transparente. É um misto entre claro e escuro.

As pessoas, hoje, falam muito, mas comunicam pouco. Há uma inflação de palavras e um mínimo de revelação de si mesmo. Mentir não é só faltar à verdade, é também entrincheirar-se nas meias verdades. É praticar a diplomacia de estar bem com todos.

Se fomos educados para a mentira, dizemos “sim” só da boca para fora. Acabamos por fazer só aquilo que queremos. Por isso pessoal e comunitariamente, precisamos de nos educar para a autenticidade.

A autenticidade é dizer o que se pensa, mas também é fazer o que se fala. Porque a verdade pensa-se, diz-se e executa-se.

Por isso, não basta encher as praças das Palavras de Deus; é preciso encher a Palavra de Deus de autenticidade.

Para evitar as aparências que enganam, a Palavra de Deus nos convida a guiar-nos pelas atitudes de Cristo. Por isso S. Paulo (Fl 2,1-11) nos aconselha: “Tende em vós os mesmos sentimentos de Jesus Cristo. Ele que era de condição divina não reivindicou a sua igualdade com Deus…Assumiu a condição de servo

P. Batalha

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