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O Piquenique mais feliz da história

A liturgia do 18º Domingo do Tempo Comum apresenta-nos o convite que Deus nos faz para nos sentarmos à mesa que Ele próprio preparou, e onde nos oferece gratuitamente o alimento que sacia a nossa fome de vida, de felicidade, de eternidade.
Na primeira leitura, Deus convida o seu Povo a deixar a terra da escravidão e a dirigir-se ao encontro da terra da liberdade – a Jerusalém nova da justiça, do amor e da paz. Aí, Deus saciará definitivamente a fome do seu Povo e oferecer-lhe-á gratuitamente a vida em abundância, a felicidade sem fim.
O Evangelho apresenta-nos Jesus, o novo Moisés, cuja missão é realizar a libertação do seu Povo. No contexto de uma refeição, Jesus mostra aos seus discípulos que é preciso acolher o pão que Deus oferece e reparti-lo com todos os homens. É dessa forma que os membros da comunidade do Reino fugirão da escravidão do egoísmo e alcançarão a liberdade do amor.
A segunda leitura é um hino ao amor de Deus pelos homens. É esse amor – do qual nenhum poder hostil nos pode afastar – que explica porque é que Deus enviou ao mundo o seu próprio Filho, a fim de nos convidar para o banquete da vida eterna.

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Todos comeram e ficaram saciados

Um dia, Jesus retirou-se para um lugar solitário, nas margens do Mar da Galileia. Mas, quando ia desembarcar, encontrou uma grande multidão que O esperava. «Cheio de misericórdia para com ela, curou os seus enfermos.» Falou-lhes do Reino de Deus.

Pois bem, entretanto escureceu. Os apóstolos sugeriram-Lhe que Se despedisse a multidão, para que pudessem encontrar algo para comer nos povoados próximos. Mas Jesus deixou-os atónitos, dizendo-lhes em voz alta, para que todos escutassem: «Não é preciso.. dai-lhes vós mesmos de comer».

«Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes.», respondem-Lhe, desconcertados.

Jesus pede que os tragam. Convida todos a sentarem-se. Toma os cinco pães e os dois peixes, reza, agradece ao Pai, depois ordena que distribuam tudo à multidão. «Todos comeram e ficaram saciados; e, com o que sobejou, encheram doze cestos». Eram cerca de 5 mil homens, sem contar mulheres e crianças, diz o Evangelho. Foi o piquenique mais feliz da história do mundo!

O que este evangelho nos diz?

Em primeiro lugar, que Jesus se preocupa e «sente compaixão» do homem completo, corpo e alma. Às almas Ele dá a palavra, aos corpos, a cura e o alimento. Alguém poderia dizer: «Então, por que Ele não faz isso também hoje? Por que não multiplica o pão entre tantos milhões de famintos que existem na terra?». O evangelho da multiplicação dos pães oferece um detalhe que nos pode ajudar a encontrar a resposta. Jesus não estalou os dedos para que aparecesse, como mágica, pão e peixe para todos. Ele perguntou o que eles tinham; convidou a compartilhar o pouco que tinham: 5 pães e 2 peixes.

Hoje, Ele faz a mesma coisa. Pede que compartilhemos os recursos da terra. Sabemos perfeitamente que, pelo menos do ponto de vista alimentar, a nossa terra seria capaz de dar de comer a bilhões de pessoas a mais do que as que existem hoje. Mas como podemos acusar Deus de não dar pão suficiente a todos, quando cada dia destruímos milhões de toneladas de alimentos que chamamos «excedentes» para que não diminuam os preços? Melhor distribuição, maior solidariedade e capacidade para partilhar: a solução está aqui.

Eu sei, não é assim tão fácil. Existe a mania dos armamentos, há governantes irresponsáveis que contribuem para manter muitas populações na fome. Mas uma parte da responsabilidade recai também nos países ricos. Nós somos agora essa pessoa anónima (um menino, segundo um dos evangelistas) que tem 5 pães e 2 peixes; mas nós temo-los muito bem guardados e temos cuidado para não os entregar, por medo de que eles sejam distribuídos entre todos.

A forma como se descreve a multiplicação dos pães e dos peixes («ergueu os olhos ao céu e pronunciou a bênção; partiu, depois, os pães e deu os aos discípulos, e estes distribuíram-nos pela multidão») recorda a multiplicação desse outro pão que é o Corpo de Cristo. Por este motivo, as representações mais antigas da Eucaristia mostram-nos um cesto com 5 pães e, ao lado, 2 peixes, como o mosaico em Tabga, na Palestina, na igreja construída no lugar da multiplicação dos pães, ou na famosa pintura das catacumbas de Priscila em Roma.

No fundo, o que estamos a fazer neste momento também é uma multiplicação dos pães: o pão da palavra de Deus. Eu parti o pão da palavra e a internet multiplicou as minhas palavras, de forma a que mais de 5 mil homens, também neste momento, se alimentaram e ficaram saciados. Resta uma tarefa: recolher «os pedaços que sobraram», fazer a Palavra chegar também a quem não participou no banquete. Converter-se em «repetidores» e testemunhas da mensagem.

Pe. Reniero Cantalamessa, OFM Cap, pregador da casa Pontifícia

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