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Archive for Agosto, 2008

Tempo novo para ser feliz

Agosto 30, 2008 Deixe um comentário

O tempo de férias é chegado ao fim, vamos entrar num tempo novo. As diversas actividades vão recomeçar.

Pastoralmente, este ano, temos um ‘instrutor’ que é São Paulo. Estamos a celebrar os dois mil anos do seu nascimento.

Muitos de vós já tendes um auxiliar que é o livro “Um Ano a Caminhar com S. Paulo”

Como sabem, estive em Fátima na “Semana Bíblica Nacional (31ª)” sobre “São Paulo, Apóstolo da Palavra”.

Ele coloca-nos Jesus Cristo no centro da nossa vida. Com Ele vamos participar no movimento social dos valores da solidariedade, da equidade, da justiça, da verdade e da paz que dignificam a vida pessoal e comunitária.

O exemplo e os ensinamentos de S. Paulo estimulam-nos, mostram-nos e propõem-nos o caminho de Jesus que, neste Domingo, nos diz que a cruz traz-nos a felicidade. Não por critérios humanos do facilitismo; mas conduzidos por Deus.

A proposta que a Igreja nos faz este novo ano, a propósito do jubileu paulino, são duas coisas: 1. – prestar mais atenção às suas cartas que ouvimos nas Missas; 2.- e ler as suas 13 Cartas, meditando-as. Para quê!?… Contactar com a Bíblia é como contactar com uma pessoa amiga: fica sempre alguma coisa nos olhos que ajuda a entender melhor a vida e a enfrentar melhor a luta; sobretudo conhecendo melhor a figura de Paulo: a sua vida e conversão, as suas lutas e trabalhos, as suas viagens missionárias,… a sua Fé em Jesus Cristo, perante o seu testemunho: “para mim viver é Cristo!”.

Mas o seu ardor apostólico: “Ai de mim se não evangelizar” que fez dele um incansável Apóstolo da Palavra constitui para nós também um grande desafio. Por isso vamos dedicar o segundo ano da nossa Escola Paroquial a São Paulo.

Neste tempo de mudanças tão profundas não podemos cruzar os braços como cristãos, mas temos de percorrer como S. Paulo o caminho da fidelidade a Jesus Cristo e ao Seu Evangelho, assumindo um novo sentido de vida, individual e colectiva, que decorre do encontro com a Pessoa de Jesus Cristo.

A progressiva ruptura entre a Fé em que se acredita e o estilo de vida que se pratica exige uma conversão.

Tu cristão responde a estas perguntas com humildade e verdade, diante de Deus:

Tu lês a Bíblia ? Meditas no que lês e procuras tirar os ensinamentos para nortear a tua vida ?

Se ignoramos a Palavra de Deus, como podemos ser cristãos e dar testemunho dos valores humanizantes na sociedade ? Sem identidade cristã não somos cristãos diferentes do cidadão comum que é consumista, que ignora o bem comum, que marginaliza os excluídos da sociedade, que só pensa no seu prazer e comodismo.

Para S. Paulo o Evangelho é uma força de comunhão. Jesus Cristo ao atrair cada um a Si, pela Fé, deseja uma Igreja onde se viva a caridade, a comunhão com Deus, por Jesus Cristo e com os irmãos.

Pe. Batalha

FAROL (Versão impressa)

A loucura da CRUZ

Agosto 29, 2008 1 comentário

A liturgia do 22º Domingo do Tempo Comum convida-nos a descobrir a “loucura da cruz”: o acesso a essa vida verdadeira e plena que Deus nos quer oferecer passa pelo caminho do amor e do dom da vida (cruz).

Na primeira leitura, um profeta de Israel (Jeremias) descreve a sua experiência de “cruz”. Seduzido por Jahwéh, Jeremias colocou toda a sua vida ao serviço de Deus e dos seus projectos. Nesse “caminho”, ele teve que enfrentar os poderosos e pôr em causa a lógica do mundo; por isso, conheceu o sofrimento, a solidão, a perseguição… É essa a experiência de todos aqueles que acolhem a Palavra de Jahwéh no seu coração e vivem em coerência com os valores de Deus.

A segunda leitura convida os cristãos a oferecerem toda a sua existência de cada dia a Deus. Paulo garante que é esse o sacrifício que Deus prefere. O que é que significa oferecer a Deus toda a existência? Significa, de acordo com Paulo, não nos conformarmos com a lógica do mundo, aprendermos a discernir os planos de Deus e a viver em consequência.

No Evangelho, Jesus avisa os discípulos de que o caminho da vida verdadeira não passa pelos triunfos e êxitos humanos, mas passa pelo amor e pelo dom da vida (até à morte, se for necessário). Jesus vai percorrer esse caminho; e quem quiser ser seu discípulo tem de aceitar percorrer um caminho semelhante.

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Comentário ao Evangelho do dia feito por Santo Agostinho – «Renunciar a si mesmo, tomar a própria cruz e seguir a Cristo» [pdf]

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Cristo e a Igreja

Agosto 20, 2008 Deixe um comentário

No centro da reflexão que a liturgia do 21º Domingo do Tempo Comum nos propõe, estão dois temas à volta dos quais se constrói e se estrutura toda a existência cristã: Cristo e a Igreja.

O Evangelho convida os discípulos a aderirem a Jesus e a acolherem-n’O como “o Messias, Filho de Deus”. Dessa adesão, nasce a Igreja – a comunidade dos discípulos de Jesus, convocada e organizada à volta de Pedro. A missão da Igreja é dar testemunho da proposta de salvação que Jesus veio trazer. À Igreja e a Pedro é confiado o poder das chaves – isto é, de interpretar as palavras de Jesus, de adaptar os ensinamentos de Jesus aos desafios do mundo e de acolher na comunidade todos aqueles que aderem à proposta de salvação que Jesus oferece.

A primeira leitura mostra como se deve concretizar o poder “das chaves”. Aquele que detém “as chaves” não pode usar a sua autoridade para concretizar interesses pessoais e para impedir aos seus irmãos o acesso aos bens eternos; mas deve exercer o seu serviço como um pai que procura o bem dos seus filhos, com solicitude, com amor e com justiça.

A segunda leitura é um convite a contemplar a riqueza, a sabedoria e a ciência de Deus que, de forma misteriosa e às vezes desconcertante, realiza os seus projectos de salvação do homem. Ao homem resta entregar-se confiadamente nas mãos de Deus e deixar que o seu espanto, reconhecimento e adoração se transformem num hino de amor e de louvor ao Deus salvador e libertador.

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Nota: Informação recolhida em Evangelho Quotidiano, Dehonianos, Benedictines de Catalunya e Hermanoleón Clipart.

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Férias para quê?

Agosto 16, 2008 Deixe um comentário

Umas férias para visitar os amigos, partilhando a sua mesa e as suas histórias de quem já não se via há muito; para descansar e ler os livros recebidos no dia do aniversário: “Maria a maior educadora da história” (de Augusto Cury), a “Europa e o futuro” (de João César das Neves) e o “Eremita Serafim de Sarov, no Diálogo com Motovilov” (um livro de espiritualidade).

A leitura não só repousa o espírito, mas também o refresca, nos abre horizontes e até nos liberta da mesquinhez. Enriquece a nossa sabedoria e desafia-nos para a acção e a iniciativa.

Gostei muito de ler “Maria, a maior educadora da história”. Alegra-me muito conhecê-la sempre mais, até porque de “Maria nunca se diz o bastante”, porque sendo a mulher mais famosa, é também a mais desconhecida.

Este livro tem o mérito de a apresentar como uma verdadeira pedagoga. Diz o autor: “Neste livro, a psicologia, a psiquiatria e a pedagogia avaliam a sua personalidade e, em especial, os dez princípios que ela utilizou na educação do menino Jesus”.

Depois da minha leitura, acho que todos os pais cristãos têm muito que aprender neste livro. Quase que diria que devia ser leitura obrigatória.

Vede o que temos que aprender só neste parágrafo, logo na introdução: “O melhor educador não é o que controla, mas o que liberta. Não é o que aponta os erros, mas o que os previne. Não é o que corrige os comportamentos, mas o que ensina a reflectir. Não é o que observa o que se toca, mas o que vê o invisível. Não é o que desiste facilmente, mas o que estimula sempre a começar de novo. O educador por excelência abraça quando todos rejeitam, anima quando todos condenam, aplaude os que nunca subiram ao palco…”

Os dez princípios que Maria utilizou para educar o Menino Jesus são fantásticos. Ela era uma mulher de uma espiritualidade inteligente. Não era passiva, mas reflectida e criativa. Temos muito a aprender com ela. Não sejamos apenas pedintes diante dela.

Europa e o futuro” sobre desafios que se colocam hoje à Europa cristã.

Fala da situação económico-social e da sua decadência. Os europeus estão a deixar de ter filhos, por isso a sua população está a desaparecer e a ficar crescentemente árabe, africana e oriental. Aborda três problemas importantes: demográfico, familiar e cultural.

A família é a questão central da sociedade, porque ela é a forma natural e eficaz “de promover a educação, saúde, felicidade e combater o crime, injustiça, violência”. Ora a família está em decadência. A origem disto é um problema cultural. A Europa está desorientada. Não sabe o que quer. Todos os outros povos têm a sua religião e a Europa rejeitou Deus e esvaziou a sua alma “reduzindo o ser humano a um animal com raciocínio”; e quem acredita em tudo “menos em Deus fica cínico, arrogante e patético”.
O livro lembra-nos as origens da Europa que não podemos ignorar nem repudiar. Grandes figuras de santidade: Santo Agostinho, São Bento e São Gregório que com a sua divisa “Oração e trabalho” são as bases. Com a Cruz (lei de Cristo e a oração litúrgica), com o livro (a cultura e ensino) cultivando o saber, e com o arado (cultivando os campos e outras iniciativas) tornaram-se os pais da Europa. No fim, o autor, olhando os dramas da Europa, liga-os às aparições de Fátima. É um livro com muito interesse.

O outro livro que me ofereceram também vale a pena: “Serafim Sarov – O Diálogo com Motovilov”. Insiste muito no papel do Espírito Santo na vida do cristão.

Neste livro diz o tradutor: “Serafim de Sarov tem o dom de falar das realidades, das mais essenciais, com uma extrema sabedoria, clareza e simplicidade. Ele vai ao encontro das principais interrogações do seu interlocutor que são também as nossas”. É preciso ir ao encontro do essencial – a finalidade da vida cristã. Esta “consiste na aquisição do Espírito Santo de Deus”. A sua grande batalha é que o Espírito Santo é a abóbada na construção do homem cristão, homem novo modelado em Cristo”. Fala da Oração e da Palavra das Sagradas Escrituras, como meios. São diálogos dum eremita do deserto de Sarov (Rússia) que atraiu muita gente. Estou muito grato.

Deus ama cada um dos seus filhos

Agosto 15, 2008 Deixe um comentário

A liturgia do 20º Domingo do Tempo Comum reflecte sobre a universalidade da salvação. Deus ama cada um dos seus filhos e a todos convida para o banquete do Reino.
Na primeira leitura, Jahwéh garante ao seu Povo a chegada de uma nova era, na qual se vai revelar plenamente a salvação de Deus. No entanto, essa salvação não se destina apenas a Israel: destina-se a todos os homens e mulheres que aceitarem o convite para integrar a comunidade do Povo de Deus.
O Evangelho apresenta a realização da profecia do Trito-Isaías, apresentada na primeira leitura deste domingo. Jesus, depois de constatar como os fariseus e os doutores da Lei recusam a sua proposta do Reino, entra numa região pagã e demonstra como os pagãos são dignos de acolher o dom de Deus. Face à grandeza da fé da mulher cananeia, Jesus oferece-lhe essa salvação que Deus prometeu derramar sobre todos os homens e mulheres, sem excepção.
A segunda leitura sugere que a misericórdia de Deus se derrama sobre todos os seus filhos, mesmo sobre aqueles que, como Israel, rejeitam as suas propostas. Deus respeita sempre as opções dos homens; mas não desiste de propor, em todos os momentos e a todos os seus filhos, oportunidades novas de acolher essa salvação que Ele quer oferecer.

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Leer el comentario del Evangelio por Guillermo de San Thierry – «Ten piedad de mí, Señor, Hijo de Dios» [pdf]

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Commentary of the day by William of Saint-Thierry – “Have pity on me, Lord, Son of David! [pdf]

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Nota: Informação recolhida em Evangelho Quotidiano, Dehonianos, Benedictines de Catalunya e Hermanoleón Clipart.

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15 de Agosto – Assunção da Virgem Santa Maria

Agosto 14, 2008 Deixe um comentário

La Asunción de la Santísima Virgen – The Assumption of the Blessed Virgin Mary

Bendita és tu, Maria! Hoje, Jesus ressuscitado acolhe a sua mãe na glória do céu…
Hoje, Jesus vivo, glorificado à direita do Pai, põe sobre a cabeça da sua mãe a coroa de doze estrelas…

Primeira leitura: Maria, imagem da Igreja. Como Maria, a Igreja gera na dor um mudo novo. E como Maria, participa na vitória de Cristo sobre o Mal.

Salmo: Bendita és tu, Virgem Maria! A esposa do rei é Maria. Ela tem os favores de Deus e está associada para sempre à glória do seu Filho.

Segunda leitura: Maria, nova Eva.Novo Adão, Jesus faz da Virgem Maria uma nova Eva, sinal de esperança para todos os homens.

Evangelho: Maria, Mãe dos crentes. Cheia do Espírito Santo, Maria, a primeira, encontra as palavras da fé e da esperança: doravante todas as gerações a chamarão bem-aventurada!

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Comentário ao Evangelho do dia feito por S. Nicolau Cabasilas – “Exalta os humildes [pdf]

Leer el comentario del Evangelio por San Nicolás Cabasilas – «Enaltece a los humildes» [pdf]

Commentary of the day by Saint Nicholas Cabasilas – “He lifts up the lowly [pdf]

Princípios de Educação – Maria é Mestra

Agosto 10, 2008 Deixe um comentário

Este mês de Agosto é polarizado pela Festa a Nossa Senhora, exaltando a sua Assunção ao Céu. Mas Agosto é talvez o mês que tem mais festas em honra de Santa Maria, porque muitas povoações e instituições a escolheram como padroeira, invocando-a com diversos títulos. Porque ela é o grande modelo dos cristãos, no seguimento do Evangelho; porque ela dá-nos um grande estímulo na nossa Fé e na nossa Esperança.

Maria começa por ser uma grande Mãe e Mestra. Ela é a maior educadora da história.

Muitos católicos são muito devotos de Maria, mas não a conhecem. Temos muito a aprender com ela.

Desde que aceitou ser a Mãe de Jesus sujeitou-se a uma vida cheia de surpresas.

Na apresentação de Jesus no Templo o velho Simeão advertiu-a que Ele é sinal de contradição: aceitação e rejeição. Jesus seria amado e odiado.

Se Maria tivesse medo de enfrentar os riscos não estaria preparada para educar o homem que mais riscos correria na história. Casa de pais escola de filhos. Tal Mãe tal Filho.

Muitos pais, educadores, têm medo de falhar. Preferem a omissão à acção, transmitindo assim a insegurança e o medo.

Na educação dos jovens há muitos riscos: consumo de drogas, empregos frustrantes, casamentos infelizes, etc…Que fazer? Fechar os olhos?! Desesperar ? O medo é um ladrão.

Para Maria, desde que concebeu o Menino Jesus, tudo mudou. Ela tinha de usar as lágrimas para irrigar a serenidade e conhecer-se para não entrar em desespero.

É preciso ensinar os jovens que a vida é um risco, ajudando-os a compreender que há um mundo lá fora diferente do espaço controlado da escola, do ambiente de casa e da Internet. Não lhes poupem as dificuldades, mas ensinai-os a superá-las.

Maria enfrentava as dificuldades e não reclamava ao confrontá-las. Nem lamentava quando as coisas corriam mal ou sucediam de forma diferente daquele que tinha sido planeado. Ela até agradecia, mas não era conformista. Não ficava parada à espera que alguém socorresse. Ela erguia-se à procura de outro caminho. Agradecer e reagir são artes que Maria reunia em si.

A coragem de Maria era surpreendente: “Se precisasse de dormir num curral e respirar o cheiro do estrume, ela dormia. Se precisasse de fazer as suas malas com urgência e mudar de região, ela fazia-o. Se tinha dúvidas sobre um determinado ponto e precisasse de o questionar, não era omissa, perguntava sem medo”.

Maria usava a intuição para educar o Menino Jesus. Por isso, via com os olhos do coração, pensando muito, treinando o olhar psíquico.

Os pais muitas vezes ferem os filhos porque lhes reagem com respostas já feitas.

Maria não tinha preguiça de pensar e reflectia muito antes de reagir.

Muito mais há a aprender com esta grande educadora, Maria, Mãe e Mestra.

P. Batalha

Partilhar – por um Mundo mais Justo…

Agosto 9, 2008 Deixe um comentário

Conclusões da 33ª Semana de Estudos da Acção Católica Rural do Patriarcado de Lisboa

Durante cinco dias ouvimos, conversámos, reflectimos em conjunto e constatamos que:

  1. Nunca houve tanta riqueza no mundo como nos dias de hoje, mas o número de pobres continua a ser assustador. A sociedade em geral e os cristãos em particular não podem ignorar esta realidade e sobre a qual é importante agir.
  2. A pobreza afecta, em maior ou menor grau, a generalidade dos países, e as suas causas estão relacionadas com (in)capacidade de organização. A existência ou não de organização pode ser vista a diferentes níveis que vai do pessoal, ao familiar, à comunidade, ao país e ao nível mundial. Da mesma forma, a compreensão e discussão de soluções para a pobreza pode e deve ser encarada nesses diferentes níveis ou escalas de actuação.
  3. O actual estilo de vida dos países mais ricos tem sido efectuado muitas vezes à custa dos países mais pobres. Em muitos casos, o chamado progresso económico e tecnológico é efectuado sem atender às consequências sociais e aos efeitos sobre o ambiente, consumindo de forma irracional os recursos do planeta no seu todo e comprometendo a própria vida humana no presente e no futuro.
  4. O modelo económico actual permite esquemas subversivos do seu próprio funcionamento, como seja o uso e abuso da especulação. Assim, os que possuem mais dinheiro usam-no para reter armazenados bens essenciais à vida de outros, encarecendo, no curto e longo prazo, bens alimentares e outros, contribuindo para o agravamento da pobreza e do fosso entre os países mais ricos e os mais pobres.
  5. A economia solidária tem que ser reinventada. De facto, já existe por todo o mundo experiências positivas muito significativas que procuram contrariar a lógica consumista e imediatista que vem sendo adoptada desde o século passado. A capacidade crítica é cada vez mais necessária para não nos deixarmos envolver pelas teias que a publicidade e os esquemas montados pelos grandes grupos nos querem incutir, com promessas de vida e felicidade fácil.
  6. Um novo século estamos a viver, e novas soluções são necessárias. Pertencemos ao maior movimento mundial, mas não estamos conscientes disso porque ainda não estamos suficientemente organizados. Pertencemos ao movimento social dos que acreditam na solidariedade e na importância de revermos os nossos estilos de vida, para que outros possam de facto melhorar as suas condições de vida…A relação entre diminuição da pobreza e a protecção do ambiente e dos recursos naturais é um facto sobre o qual temos vindo a ganhar consciência, e que nos interpela individualmente e enquanto sociedade.
  7. Os recursos do planeta não são suficientes para manter o padrão de vida das sociedades de consumo e em simultâneo erradicar a pobreza nos países africanos e asiáticos. Mudar é preciso, reciclar é importante, racionar é necessário, reinventar é urgente.

Denúncias que queremos efectuar:

  • apenas um quinto do capital existente no mundo é utilizado para produzir riqueza, o restante é usado em negócios especulativos;
  • alguns progressos tecnológicos, como seja o cultivo de produtos transgénicos, apresentam enormes prejuízos sociais e ambientais. Grande parte dos consumidores não tem sequer conhecimento dessa situação.

Alguns projectos/ideias que queremos ajudar a ampliar:

  • a rede de estabelecimentos do comércio justo e de produtos biológicos;
  • a rede de Movimentos e Associações que promovem o desenvolvimento integrado e o equilíbrio ambiental;
  • a rede de grupos/instituições de voluntariado nos mais diversos sectores, como seja na área do consumo, da habitação, e de combate contra a exclusão e contra a pobreza.

Conclusão de compromisso:

Não podemos baixar os braços na resignação. O trabalho a fazer é muito, e cada um de nós pode fazer um pouco, ou até muito. Pode, nomeadamente, participar e promover este movimento social, favorecendo a coerência entre os valores (justiça, equidade, solidariedade…) e a vida, e torná-lo mais visível e dinâmico. Comunicar é preciso!

Casa do Oeste, 8 de Agosto de 2008

A comunidade cristã não está sozinha

Agosto 5, 2008 Deixe um comentário

A liturgia do 19º Domingo do Tempo Comum tem como tema fundamental a revelação de Deus. Fala-nos de um Deus apostado em percorrer, de braço dado com os homens, os caminhos da história.

A primeira leitura convida os crentes a regressarem às origens da sua fé e do seu compromisso, a fazerem uma peregrinação ao encontro do Deus da comunhão e da Aliança; e garante que o crente não encontra esse Deus nas manifestações espectaculares, mas na humildade, na simplicidade, na interioridade.

O Evangelho apresenta-nos uma reflexão sobre a caminhada histórica dos discípulos, enviados à “outra margem” a propor aos homens o banquete do Reino. Nessa “viagem”, a comunidade do Reino não está sozinha, à mercê das forças da morte: em Jesus, o Deus do amor e da comunhão vem ao encontro dos discípulos, estende-lhes a mão, dá-lhes a força para vencer a adversidade, a desilusão, a hostilidade do
mundo. Os discípulos são convidados a reconhecê-l’O, a acolhê-l’O e a aceitá-l’O como “o Senhor”.

A segunda leitura sugere que esse Deus, apostado em vir ao encontro dos homens e em revelar-lhes o seu rosto de amor e de bondade, tem uma proposta de salvação que oferece a todos. Convida-nos a estarmos atentos às manifestações desse Deus e a não perdermos as oportunidades de salvação que Ele nos oferece.

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Commentary of the day by Origen – “Truly, you are the Son of God.” [pdf]

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15 de Agosto – Assunção da Virgem Santa Maria

La Asunción de la Santísima Virgen – The Assumption of the Blessed Virgin Mary

Bendita és tu, Maria! Hoje, Jesus ressuscitado acolhe a sua mãe na glória do céu…
Hoje, Jesus vivo, glorificado à direita do Pai, põe sobre a cabeça da sua mãe a coroa de doze estrelas…

Primeira leitura: Maria, imagem da Igreja. Como Maria, a Igreja gera na dor um mudo novo. E como Maria, participa na vitória de Cristo sobre o Mal.

Salmo: Bendita és tu, Virgem Maria! A esposa do rei é Maria. Ela tem os favores de Deus e está associada para sempre à glória do seu Filho.

Segunda leitura: Maria, nova Eva.Novo Adão, Jesus faz da Virgem Maria uma nova Eva, sinal de esperança para todos os homens.

Evangelho: Maria, Mãe dos crentes. Cheia do Espírito Santo, Maria, a primeira, encontra as palavras da fé e da esperança: doravante todas as gerações a chamarão bem-aventurada!

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O Piquenique mais feliz da história

Agosto 3, 2008 Deixe um comentário

A liturgia do 18º Domingo do Tempo Comum apresenta-nos o convite que Deus nos faz para nos sentarmos à mesa que Ele próprio preparou, e onde nos oferece gratuitamente o alimento que sacia a nossa fome de vida, de felicidade, de eternidade.
Na primeira leitura, Deus convida o seu Povo a deixar a terra da escravidão e a dirigir-se ao encontro da terra da liberdade – a Jerusalém nova da justiça, do amor e da paz. Aí, Deus saciará definitivamente a fome do seu Povo e oferecer-lhe-á gratuitamente a vida em abundância, a felicidade sem fim.
O Evangelho apresenta-nos Jesus, o novo Moisés, cuja missão é realizar a libertação do seu Povo. No contexto de uma refeição, Jesus mostra aos seus discípulos que é preciso acolher o pão que Deus oferece e reparti-lo com todos os homens. É dessa forma que os membros da comunidade do Reino fugirão da escravidão do egoísmo e alcançarão a liberdade do amor.
A segunda leitura é um hino ao amor de Deus pelos homens. É esse amor – do qual nenhum poder hostil nos pode afastar – que explica porque é que Deus enviou ao mundo o seu próprio Filho, a fim de nos convidar para o banquete da vida eterna.

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Todos comeram e ficaram saciados

Um dia, Jesus retirou-se para um lugar solitário, nas margens do Mar da Galileia. Mas, quando ia desembarcar, encontrou uma grande multidão que O esperava. «Cheio de misericórdia para com ela, curou os seus enfermos.» Falou-lhes do Reino de Deus.

Pois bem, entretanto escureceu. Os apóstolos sugeriram-Lhe que Se despedisse a multidão, para que pudessem encontrar algo para comer nos povoados próximos. Mas Jesus deixou-os atónitos, dizendo-lhes em voz alta, para que todos escutassem: «Não é preciso.. dai-lhes vós mesmos de comer».

«Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes.», respondem-Lhe, desconcertados.

Jesus pede que os tragam. Convida todos a sentarem-se. Toma os cinco pães e os dois peixes, reza, agradece ao Pai, depois ordena que distribuam tudo à multidão. «Todos comeram e ficaram saciados; e, com o que sobejou, encheram doze cestos». Eram cerca de 5 mil homens, sem contar mulheres e crianças, diz o Evangelho. Foi o piquenique mais feliz da história do mundo!

O que este evangelho nos diz?

Em primeiro lugar, que Jesus se preocupa e «sente compaixão» do homem completo, corpo e alma. Às almas Ele dá a palavra, aos corpos, a cura e o alimento. Alguém poderia dizer: «Então, por que Ele não faz isso também hoje? Por que não multiplica o pão entre tantos milhões de famintos que existem na terra?». O evangelho da multiplicação dos pães oferece um detalhe que nos pode ajudar a encontrar a resposta. Jesus não estalou os dedos para que aparecesse, como mágica, pão e peixe para todos. Ele perguntou o que eles tinham; convidou a compartilhar o pouco que tinham: 5 pães e 2 peixes.

Hoje, Ele faz a mesma coisa. Pede que compartilhemos os recursos da terra. Sabemos perfeitamente que, pelo menos do ponto de vista alimentar, a nossa terra seria capaz de dar de comer a bilhões de pessoas a mais do que as que existem hoje. Mas como podemos acusar Deus de não dar pão suficiente a todos, quando cada dia destruímos milhões de toneladas de alimentos que chamamos «excedentes» para que não diminuam os preços? Melhor distribuição, maior solidariedade e capacidade para partilhar: a solução está aqui.

Eu sei, não é assim tão fácil. Existe a mania dos armamentos, há governantes irresponsáveis que contribuem para manter muitas populações na fome. Mas uma parte da responsabilidade recai também nos países ricos. Nós somos agora essa pessoa anónima (um menino, segundo um dos evangelistas) que tem 5 pães e 2 peixes; mas nós temo-los muito bem guardados e temos cuidado para não os entregar, por medo de que eles sejam distribuídos entre todos.

A forma como se descreve a multiplicação dos pães e dos peixes («ergueu os olhos ao céu e pronunciou a bênção; partiu, depois, os pães e deu os aos discípulos, e estes distribuíram-nos pela multidão») recorda a multiplicação desse outro pão que é o Corpo de Cristo. Por este motivo, as representações mais antigas da Eucaristia mostram-nos um cesto com 5 pães e, ao lado, 2 peixes, como o mosaico em Tabga, na Palestina, na igreja construída no lugar da multiplicação dos pães, ou na famosa pintura das catacumbas de Priscila em Roma.

No fundo, o que estamos a fazer neste momento também é uma multiplicação dos pães: o pão da palavra de Deus. Eu parti o pão da palavra e a internet multiplicou as minhas palavras, de forma a que mais de 5 mil homens, também neste momento, se alimentaram e ficaram saciados. Resta uma tarefa: recolher «os pedaços que sobraram», fazer a Palavra chegar também a quem não participou no banquete. Converter-se em «repetidores» e testemunhas da mensagem.

Pe. Reniero Cantalamessa, OFM Cap, pregador da casa Pontifícia