SUBIR À CIDADE SANTA
Vou partir!…dizia-vos há dias.
Carregados com a crise económica, cultural e moral, partimos na passada quarta-feira, apresentando mãos fechadas sobre os nossos haveres, sempre prontas a destruir e a ferir, com sonhos e quimeras, na nossa vanglória e orgulho, na soberba do progresso e da ciência que não passam de cinza. Diante de Deus abrimos estas mãos para Ele, debaixo das cinzas que somos, fazer reacender o fogo do amor novo, brilhar a luz do perdão, enraizar ideais nobres e generosos e semear nestas cinzas a Esperança.
E, no fim, Jesus fez-nos um convite: Venham comigo ao deserto!
- Olhai! Que vedes no deserto? Terra árida, seca, sem vida… gente tentada que está ressequida pela ganância, pelo euro-milhões, pelos divertimentos…gente seduzida pelo dinheiro, pelo poder e pela fama…gente que quer Deus ao seu serviço para seu prestígio. Chamo-vos ao deserto para que, sentindo como eu senti essas tentações, façais como Eu fiz: Escutai a Palavra de Deus...a vontade do Pai! Acolhei-A com alegria. E o que vos digo é isto: “Arrependei-vos e acreditai no Evangelho!”
- Então, Senhor, neste caminho pelo deserto ajuda-nos a fazer uma seleção para deixarmos o que é inútil e nos sobrecarrega sem necessidade. Ajuda-nos a clarificar o nosso olhar, para ver para além das aparências. Ajuda-nos dia após dia a pôr em ordem o nosso coração; para mudarmos o estilo de vida, para nos purificarmos do homem envelhecido pelo pecado e nos revestirmos do homem novo. Ajuda-nos a aprender a viver da nova maneira do Evangelho que escolhemos. Guia-nos pelo teu Espírito, neste deserto, para Te vermos a Ti e aos outros irmãos e a mim mesmo de outra maneira.
- Queremos atravessar este deserto nas nossas famílias, porque a família é o primeiro berço e a primeira escola onde Deus se manifesta, porque são dois que se unem no mesmo Espírito. Aqui se vive e aprende o amor fraterno, o sentido mais verdadeiro da solidariedade, da justiça, da honestidade, da rectidão, das virtudes sociais tão importantes para sermos cidadãos responsáveis. É também na família que acontece as divisões e discórdias, onde o amor arrefece, se contradiz e desmorona. Então é o deserto onde Deus quer estar com a Sua Palavra de Luz que ilumina e aquece, mas também purifica e renova. Assim o mundo torna-se mais belo e habitável para todos e melhora a vida em toda a sociedade. Pais e mães, jovens e crianças vamos todos peregrinos seguir o Caminho de Jesus que sobe a Jerusalém.
- Este é o tempo favorável à mudança, em que queremos renovar a nossa aliança batismal.. É tempo de nos pormos de joelhos e confessar os nossos pecados, em que ajoelhados dizemos arrependidos: confesso a Deus e a vós irmãos que pequei por pensamentos e palavras, atos e omissões… É o tempo de renovar esse contrato de amor, esta Aliança entre mim e Deus. É um tempo de conversão que nos prepara para a Páscoa da feliz Ressurreição, para subir à Cidade Santa.
P. Batalha
Quem é?
Antes de iniciar o Seu ministério público, o Senhor retirou-se para o silêncio do deserto e ali permaneceu algum tempo em jejum e oração. A sua atitude é um exemplo para nós que, na vida, também nos confrontamos com decisões difíceis. Se queremos estar preparados para vencer a luta que a vida nos impõe, precisamos de orar numa atitude de silêncio, como Jesus. É nesta disposição que pedimos ao Senhor que este tempo quaresmal nos proporcione uma caminhada através da escuta da Palavra de Deus e da oração, de forma a chegarmos preparados à celebração da Páscoa de Cristo.
No primeiro Domingo do Tempo da Quaresma, a liturgia garante-nos que Deus está interessado em destruir o velho mundo do egoísmo e do pecado e em oferecer aos homens um mundo novo de vida plena e de felicidade sem fim.
As leituras deste Domingo decorrem mais uma vez sob o signo da cura. Os milagres de Jesus, sinais da Sua bondade e do Seu poder, reflexos de um Deus que, como rezamos no Credo, é Pai e Todo-Poderoso, mostravam a todos aqueles que O rodeavam – e mostram-nos hoje a nós – que, com fé, o Homem é capaz de superar dificuldades e vencer resistências. Seremos nós capazes de pegar na nossa enxerga e ir para casa? Peçamos ao Senhor essa capacidade, para assim construirmos um mundo melhor, mais justo, com mais caridade.
A liturgia do 7º Domingo do Tempo Comum convida-nos, uma vez mais, a tomar consciência de que Deus tem um projeto de salvação para os homens e para o mundo. Esse projecto (que em Jesus se torna vivo, palpável, realmente libertador) é um dom de Deus que o homem deve acolher com fé.