DIANTE DA BONDADE O MAL PERDE FORÇA
A liturgia do 4º Domingo do Tempo Comum garante-nos que Deus não se conforma com os projectos de egoísmo e de morte que desfeiam o mundo e que escravizam os homens e afirma que Ele encontra formas de vir ao encontro dos seus filhos para lhes propor um projeto de liberdade e de vida plena.
A primeira leitura propõe-nos – a partir da figura de Moisés – uma reflexão sobre a experiência profética. O profeta é alguém que Deus escolhe, que Deus chama e que Deus envia para ser a sua “palavra” viva no meio dos homens. Através dos profetas, Deus vem ao encontro dos homens e apresenta-lhes, de forma bem perceptível, as suas propostas.
O Evangelho mostra como Jesus, o Filho de Deus, cumprindo o projeto libertador do Pai, pela sua Palavra e pela sua acção, renova e transforma em homens livres todos aqueles que vivem prisioneiros do egoísmo, do pecado e da morte.
A segunda leitura convida os crentes a repensarem as suas prioridades e a não deixarem que as realidades transitórias sejam impeditivas de um verdadeiro compromisso com o serviço de Deus e dos irmãos.
MARCADOR PARA A 3.ª SEMANA DO TEMPO COMUM
Durante a semana reserva uns minutos diários para estares com Deus. Por momentos faz silêncio no teu interior para poderes escutar Deus e partilhar com Ele os teus desejos mais profundos. Deixa que a Paz de Deus esteja contigo e, assim, pacificado, começa a tua oração diária.
Solenidade de São Vicente, padroeiro principal do Patriarcado de Lisboa
Neste Domingo, dia 22 de Janeiro, na Diocese de Lisboa celebra-se a Solenidade de São Vicente, diácono e mártir, padroeiro principal da diocese.
- Leituras
- Homilia de D. José Policarpo na solenidade de São Vicente, padroeiro principal do Patriarcado de Lisboa (2011)
Nota histórica:
Vicente, diácono da Igreja de Saragoça, morreu mártir em Valência (Espanha) durante a perseguição de Diocleciano, depois de sofrer cruéis tormentos. O seu culto logo se propagou por toda a Igreja.
Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo
(Sermão 276.1-2: PL 38, 1256) (Sec. V)
Vicente venceu onde o mundo foi vencido
A vós foi concedida a graça, não só de acreditardes em Cristo, mas também de sofrerdes por Ele.
Um e outro dom recebera o levita Vicente; recebera-os e guardara-os. Se os não tivesse recebido, como os guardaria? Tinha confiança na palavra, tinha coragem no sofrimento.
Ninguém se envaideça da sua força interior, quando fala; ninguém confie nas suas forças, quando sofre a tentação; porque, se falamos bem e com prudência, é d’Ele que vem a nossa sabedoria; e se suportamos os males com coragem, é d’Ele que vem a nossa força.
Recordai-vos de Cristo Senhor no Evangelho, exortando os seus; recordai-vos do Rei dos mártires, instruindo nas armas espirituais os seus exércitos, exortando-os para a guerra, fornecendo-lhes auxílio, prometendo a recompensa. Ele, que disse aos seus discípulos: Neste mundo haveis de sofrer, logo os consolou, ao vê-los assustados: Não temais; Eu venci o mundo.
Como nos admiraremos então, caríssimos, que Vicente tenha vencido n’Aquele que venceu o mundo? Neste mundo haveis de sofrer, diz o Senhor: o mundo persegue, mas não triunfa; ataca, mas não vence. O mundo conduz uma dupla batalha contra os soldados de Cristo: lisonjeia-os para os enganar, aterroriza-os para os quebrar. Não nos preocupe o nosso bem-estar, não nos assuste a crueldade alheia, e vencido está o mundo.
A ambas as brechas acorre Cristo, e o cristão não é vencido. Se neste martírio se considera a capacidade humana de o suportar, o facto torna-se incompreensível; mas se se reconhece o poder divino, nada tem de espantoso.
Era tanta a crueldade que afligia o corpo do mártir e tanta a tranquilidade que transparecia na sua voz, era tanta a dureza com que eram maltratados os seus membros e tão grande a segurança que ressoava nas suas palavras, que poderia parecer que, de algum modo maravilhoso, enquanto Vicente suportava o martírio, fosse torturada uma pessoa diferente da que falava.
E era realmente assim, irmãos, era mesmo assim: era outro que falava. Também isto o prometeu Cristo, no Evangelho, às suas testemunhas, quando as preparava para o combate. Na verdade, assim falou: Não vos preocupeis com o que haveis de dizer. Não sois vós que falais, mas o Espírito do vosso Pai que fala em vós.
Portanto, a carne era torturada e o Espírito falava: e enquanto o Espírito falava, não só era vencida a impiedade, mas também era confortada a fraqueza.
Homilia no III Domingo do Tempo Comum B
“O que tenho a dizer-vos é que o tempo é breve” (I Cor.7,29)!
Em pouco tempo, falemos do tempo, que nos parece sempre pouco, numa vida que é breve e fugaz, e que se anuncia, para já, com menos férias e feriados, sem pontes de descanso, para algumas pausas sonhadas! Tão breve é o tempo que nos foge, que de repente, nos acordamos com a pergunta: Qual é afinal o sentido que podemos dar aos nossos dias inquietos, de fadiga e de dor, em “tempos de crise”?
HOJE A BOA NOVA DEPENDE DE NÓS
A liturgia do 3.º Domingo do Tempo Comum propõe-nos a continuação da reflexão iniciada no passado domingo. Recorda, uma vez mais, que Deus ama cada homem e cada mulher e chama-o à vida plena e verdadeira. A resposta do homem ao chamamento de Deus passa por um caminho de conversão pessoal e de identificação com Jesus.
A primeira leitura diz-nos – através da história do envio do profeta Jonas a pregar a conversão aos habitantes de Nínive – que Deus ama todos os homens e a todos chama à salvação. A disponibilidade dos ninivitas em escutar os apelos de Deus e em percorrer um caminho imediato de conversão constitui um modelo de resposta adequada ao chamamento de Deus.
No Evangelho aparece o convite que Jesus faz a todos os homens para se tornarem seus discípulos e para integrarem a sua comunidade. Marcos avisa, contudo, que a entrada para a comunidade do Reino pressupõe um caminho de “conversão” e de adesão a Jesus e ao Evangelho.
A segunda leitura convida o cristão a ter consciência de que “o tempo é breve” – isto é, que as realidades e valores deste mundo são passageiros e não devem ser absolutizados. Deus convida cada cristão, em marcha pela história, a viver de olhos postos no mundo futuro – quer dizer, a dar prioridade aos valores eternos, a converter-se aos valores do “Reino”.
MUDAR É URGENTE
Perante a crise, nos tempos que correm, muitos andam desanimados e pessimistas. A resignação não pode ser o deixar correr. Para nós cristãos, esta realidade é um desafio à criatividade e à solidariedade.
Temos de assumir compromissos concretos, renunciando ao consumo irracional e egoísta, vivendo com sobriedade, solidarizando-nos de modo efectivo com as vítimas da crise. É um apelo à sobriedade e uma oportunidade de mudança.
Uma sociedade em que os cidadãos só pensam em si e nos seus interesses e segue a lei da selva, é uma sociedade que caminha para a ruína. Esta crise social e económico-financeira é fruto disso.
Então a primeira coisa das nossas preocupações é educar as novas gerações para um novo humanismo. Há que educar os jovens para a justiça e para a paz; e a justiça não se pode mover tão só por relações feitas de direitos e deveres, mas antes e sobretudo por relações de gratuidade, misericórdia e comunhão. Os seus primeiros educadores são eles mesmos, começando a viver aquilo que pedem a quantos os rodeiam; depois a família que deve ser a escola da justiça e da paz. Também o contributo de outras instituições educativas que devem promover a abertura a Deus e aos outros, lugar de diálogo e desenvolvimento da pessoa.
A educação faz-se fazendo. Como ? Pela fraternidade e solidariedade, mudando de forma radical a cultura e o costume que nos são muito comuns e estão muito difundidos que é um estilo de vida construído sobre o consumismo que todos somos convidados a alterar para regressarmos a uma sobriedade que é sinal de justiça. Claro que isto implica uma conversão, uma mudança, implica mudar de direção, de caminho; e a primeira mudança é cultural. Queremos construir o futuro? Queremos deixar o mundo um pouco melhor do que está? Estamos dispostos a fazer uma revisão profunda? Não basta pôr remendos novos em pano velho (Mc 2,21). Então, que sobriedade para resolver a nossa crise económica ? Deve começar nas palavras. A sobriedade não tem apenas a ver com a quantidade de bens materiais que consumimos ou não, com tudo o que compramos ou não. Não é uma questão só económica, pois mexe numa esfera muito mais ampla do nosso pensar e do nosso agir, do nosso próprio ser. A sobriedade nasce e cresce através de um sábio e corajoso discernimento, que a mantém intimamente ligada à sua finalidade: a de estar ao serviço do bem, começando pelo amor ao outro, pelo dom de si ao outro, pela partilha fraterna que me conduz à solidariedade. Não podemos ser solidários se não formos sóbrios.
É necessário redescobrir a sobriedade e a solidariedade, como valores evangélicos. Não se pode combater eficazmente a miséria, quando não se faz o que nos diz S. Paulo, isto é, quando não se procura “fazer igualdade”, reduzindo o desnível entre quem desperdiça o supérfluo e quem não tem sequer o necessário. Isto exige opções de justiça e de sobriedade. Esta é a oportunidade ! Mudar é preciso !
P. Batalha
MARCADOR DA PALAVRA – 2.ª SEMANA DO TEMPO COMUM
Começa esta segunda semana do Tempo Comum invocando a presença de Deus, Senhor da vida e do teu tempo.
Cultiva com prazer a graça destes dias:
- tu, disponível para acolher a Palavra de Deus e deixares que ela seja a luz do teu caminho;
- Deus, amorosamente debruçado sobre ti, cuidando de ti como só Ele sabe e pode fazer.
Deixa que estes sentimentos tomem conta de ti, para que possas viver com alegria e paz esta semana, também ela de oração.
Marcador da Palavra para a 2.ª semana do Tempo Comum – ano B
Homilia no II Domingo do Tempo Comum B
Uma pergunta: “Onde moras?”; Um convite: “Vinde ver”; A aceitação: “Eles foram ver onde morava e ficaram com Ele nesse dia”. É um encontro determinante, este do Jesus que passa com os primeiros que não Lhe resistem e se decidem a segui-l’O. Tão determinante que André vai logo comunicá-lo a seu irmão Simão, que acaba transformado. Transformado em Pedro, segunda e definitiva pele. É a mesma prontidão da resposta obediente que encontramos no jovem Samuel: “Falai Senhor, que o vosso servo escuta”. Uma lição que nos foi comunicada pelo próprio Cristo como Enviado do Pai, ao encarnar até às últimas consequências o refrão do salmo: “Eu venho, Senhor, para fazer a Vossa vontade”.
TODO O CAMINHO EXIGE UMA TRAVESSIA
A liturgia do 2.º Domingo do Tempo Comum propõe-nos uma reflexão sobre a disponibilidade para acolher os desafios de Deus e para seguir Jesus.
A primeira leitura apresenta-nos a história do chamamento de Samuel. O autor desta reflexão deixa claro que o chamamento é sempre uma iniciativa de Deus, o qual vem ao encontro do homem e chama-o pelo nome. Ao homem é pedido que se coloque numa atitude de total disponibilidade para escutar a voz e os desafios de Deus.
O Evangelho descreve o encontro de Jesus com os seus primeiros discípulos. Quem é “discípulo” de Jesus? Quem pode integrar a comunidade de Jesus? Na perspetiva de João, o discípulo é aquele que é capaz de reconhecer no Cristo que passa o Messias libertador, que está disponível para seguir Jesus no caminho do amor e da entrega, que aceita o convite de Jesus para entrar na sua casa e para viver em comunhão com Ele, que é capaz de testemunhar Jesus e de anunciá-l’O aos outros irmãos.
Na segunda leitura, Paulo convida os cristãos de Corinto a viverem de forma coerente com o chamamento que Deus lhes fez. No crente que vive em comunhão com Cristo deve manifestar-se sempre a vida nova de Deus. Aplicado ao domínio da vivência da sexualidade – um dos campos onde as falhas dos cristãos de Corinto eram mais notórias – isto significa que certas atitudes e hábitos desordenados devem ser totalmente banidos da vida do cristão.
- Leituras
- Reflexão sobre as leituras
- Evangelho
- Reflexão sobre o Evangelho
- Comentário ao Evangelho do dia feito por São Cirilo de Alexandria - «Eis o Cordeiro de Deus»
O DEUS DAS PORTAS ABERTAS
Com o Seu Natal, Jesus veio iniciar um tempo e um Homem novos. Começa por nascer numa casa de portas abertas, a gruta de Belém. Por isso, quando os magos chegaram não precisaram de tocar a campainha. O Menino que nasceu para nós é o Filho de Deus, o Príncipe da Paz, que está sempre disponível para nos acolher. Jesus não nasceu em Jerusalém, no fausto e no poder, mas em Belém, casa do Pão da Vida. Jesus encontra-se em Belém, na simplicidade e na pobreza.
Nós precisamos de trilhar o caminho dos quatro Magos: Baltazar, Melchior, Gaspar e Artaban da Pérsia. Eram sábios que sabiam interpretar sonhos e ler os sinais de Deus nos acontecimentos. Todos eles se deram conta do aparecimento de uma estrela, um sinal de Deus e viajaram para adorar Jesus e lhe ofertar as dádivas de ouro, incenso, mirra e joias (safira, rubi e pérola).
Precisamos de trilhar o caminho dos Magos. Qual o caminho ? Primeiramente é preciso estarmos atentos aos sinais de Deus e termos o desejo de O adorar. “Onde está o rei dos Judeus, recém-nascido? Pois, nós vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo. Em 2º lugar é preciso procurá-lo, onde se encontra. Não em Jerusalém, mas em Belém, não no aparato do poder, mas na simplicidade”
Oferecem-lhe presentes, voltando por outro caminho. A partir do encontro com o Messias, a partir da sua adoração, a partir da oferta de dons. Parece que aqui está a luz que ilumina os cristãos: a Fé em Jesus Cristo, a atitude de serviço que expressa o amor na oferta dos presentes
Jesus é o melhor presente de Deus a todos os povos.
A história de três Magos que chegaram a Belém para adorar o Menino Jesus e ofertar-lhe os presentes de ouro, incenso e mirra, já a conhecemos. Falta-nos, porém, conhecer o que aconteceu ao quarto Mago, Artaban, da Pérsia. Era médico e sábio, seguidor de Zoroastro. Era amigo dos outros três que como ele tinham visto a grande luz brilhante e uma nova estrela e combinaram partir para Jerusalém para ver e adorar o Prometido. Vendeu o que tinha e comprou as joias. Combinaram encontrar-se. Ele partiu no seu camelo e entretanto encontrou um homem caído no caminho. Desmontou-se, examinando-o, deu-o por morto e seguiu triste por nada poder fazer. Logo a seguir encontrou outro hebreu a morrer à sede. Pegou nele e levou-o para a sombra de uma palmeira e cuidou dele por muitos dias. Recuperado perguntou a Artaban: quem és tu? Ele respondeu: Sou Artaban e vou a Jerusalém à procura daquele que vai nascer: o Príncipe da Paz e Salvador de todos os homens. Não posso demorar-me. Deixo-te o que tenho: pão, vinho e ervas curativas. Em troco recebeu a bênção: “Que o Deus de Abraão, Isaac e Jacob o abençoe… Mas olhe que os nossos profetas dizem que o Messias deve nascer, não em Jerusalém, mas em Belém de Judá”. E prosseguiu ao encontro dos seus amigos que já não encontrou. E quando chegou a Belém também não viu o Menino que tinha emigrado para o Egito. E lá foi ele para o Egito. E Artaban passou por lugares onde a fome era grande. Fez a sua morada em cidades onde os doentes morriam na miséria. Visitou os oprimidos nas prisões, os escravos…ele não achou ninguém para adorar, mas muitos para ajudar! Ele alimentou os que tinham fome, cuidou dos doentes, e confortou os prisioneiros… Sempre chegava atrasado aos lugares onde Jesus podia estar, porque se ocupava dos pobres e infelizes. Passados 33 anos a perseguir os passos de Jesus em Belém, no Egito, na Galileia, Betânia, eis que chegou a Jerusalém, mas já era tarde, porque o Menino, agora homem, estava a ser crucificado naquele dia. As joias para Cristo, precisou delas para ajudar as pessoas que foi encontrando no caminho. Sobrou apenas uma pérola e o Salvador estava morto. Pensou o Mago Artaban: “Falhei na missão da minha vida!…” Quando assim pensava, ouve uma voz clara: “Ao contrário do que pensas, tu encontraste-me durante toda a tua vida! Eu estava nu e vestiste-me. Eu tive fome e deste-me de comer…Eu estava em todos os pobres do teu caminho… Muito obrigado por tantos presentes de amor!”
Em todos os dias deste novo ano consigamos descobrir em nós o quarto Mago… O verdadeiro espírito da solidariedade. Rezemos então: Eis-me aqui Senhor com o que tenho. Toma os meus braços para com eles envolveres quem está só. Toma as minhas mãos para com elas aliviares as dores de quem sofre. Toma o meu sorriso, para com ele confortares quem desespera. Toma o meu coração e toca-o com o fogo do teu amor. Faça-se como Tu queres e não como me apetece. Ámen.
